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POR Amanda Fontes

A Rede Social e o “preço da vergonha”

Colunistas / 18.10.17

Se você tem vinte e poucos anos talvez não conheça a Mônica Lewinsky. Até outro dia, seu nome apenas não me era estranho.

Costumo fuçar o TED Talks em busca de ideias interessantes e ontem, deparei-me com “o preço da vergonha”, uma conferência dela sobre o cyberbullying.

Intrigada, eu assisti do começo ao fim.

A propósito, eu tinha apenas 7 anos, quando Mônica, aos 22, já se encontrava no olho do furacão.

Envolvida em um relacionamento extraconjugal com o presidente dos Estados Unidos — Bill Clinton — ela foi alvo de um apedrejamento público.

Contudo, eu não estou aqui para censurar a infidelidade alheia.O ponto é outro.

A ex-estagiária da Casa Branca narra que após vir a público o seu caso, foi julgada e condenada em praça pública (mídias). Suas fotos, conversas particulares, e-mails trocados vazaram para o mundo inteiro ver e ouvir. Na internet, nos jornais e na televisão foi chamada de interesseira, vadia e prostituta.

Ela diz que errou e arrepende-se do affair, mas, pra ela, o que mais doeu foi a proporção das palavras e dos julgamentos daqueles que nem sequer a conheciam. A notícia percorreu o mundo. Todos os canais a sintonizavam.

A palestra dura 22 minutos e a interlocutora, por meio de um texto cuidadosamente elaborado, consegue atrair o telespectador para a sua realidade. Somos dragados por suas percepções. Imergi junto a ela em toda aquela dor e sofrimento e pensei: quem nos deu o direito de julgá-la?

Virei a chave. Aquela narrativa foi o ponto de partida para refletir sobre o impacto da opinião pública em nossas vidas, sobretudo, em tempos de redes sociais.

Ora, se há 19 anos a repercussão daquela difamação foi tão devastadora para a vida de alguém, imagine em tempos de Facebook, Instagram, Snapchat e WhatsApp?

Dei um Google à procura de jovens impactados por vazamento de vídeos ou fotos íntimas. Numa pesquisa rápida, encontrei vários que chegaram ao extremo de pôr fim em suas vidas.

O tema é delicado e é uma realidade. Todos os dias, existem pessoas online que sofrem violências e humilhações. Escárnios, memes e nudes são os grandes passatempos modernos.

A internet mudou o mundo e eu sou grata por viver essa Revolução. Ela transformou a comunicação, o comportamento e as relações sociais. Modificou o trabalho, aproximou as pessoas e, sobretudo, disseminou informações em uma escala sem precedentes.

Hoje, sou repórter do meu próprio mundo. Posso me posicionar sobre o que eu quiser, publicar nas redes sociais e interagir com qualquer pessoa, em qualquer lugar do globo.

A democratização é real, recebemos o poder de comunicação em larga escala. É a oportunidade individual de influenciar e ser influenciado. Formar opiniões e tê-las formadas.

Contudo, sabemos que “grandes poderes, trazem grandes responsabilidades”. Ouvi essa frase do Tio Ben, no filme do Homem Aranha — a propósito, eu amava os filmes da Marvel. Pra mim, ela reflete as consequências do empoderamento.

Pode até parecer uma mera frase de efeito, contudo, o ensinamento do avô de Peter não poderia ser mais atual. Considerando que a internet proporcionou a democratização da informação e deu repercussão a nossa voz, a responsabilidade social por tudo que é dito e compartilhado se tornou enorme.

Online, muitas vezes, não conseguimos nos colocar no lugar do outro.Sofremos a crise da empatia. Julgamos sem dó. Opinamos sem filtro. É hora de refletir e antever as consequências nefastas de nossos atos.

No tabuleiro do jogo da vida, estamos na Era Digital, em que o conhecimento, a informação e a tecnologia nos fazem dar saltos quânticos em direção ao ápice da modernidade.

Mas, é hora de voltar duas casas e abraçar a compaixão e a empatia que deixamos pelo caminho.

Afinal, a minha liberdade de expressão termina quando eu esbarro nos direitos do outro.

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Amanda Fontes tem 26 anos, é advogada e graduada em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Curiosa e buscadora, ama desenvolver habilidades, sem caixa para descrição. Tem paixão pelas palavras e por sua capacidade de construir pontes. Afinal, quem não se comunica, se trumbica.

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Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

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