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POR Juliana Vidal

(Re)começar é preciso

Colunistas / 16.10.17

Eu não me considero um ser humano que sofre por apego. Não a coisas materiais, dessas que a gente tem pra satisfazer mais desejos que necessidades. Não que eu queira bancar uma espécie de hippie moderna – bem longe disso. Eu adoro ter coisas, comprar coisas e colecionar sacolas vazias embaixo da cama. Mesmo. Mas não coloco em nada que eu tenha a razão da minha felicidade. Ou parte atrelada diretamente a ela.

Não me vejo, também, como alguém apegada a pessoas. Eu amo profundamente alguns seres que cruzaram o meu caminho. Alguns desses amores perduram, outros duram temporadas e tem aqueles que duram frações de segundos. Este último acontece ao acaso, compartilhando um momento banal que, sem nenhuma anunciação, flui de uma forma que ultrapassa a normalidade rotineira.

Complexos que somos, surpreendentemente me vi apegada a mim mesma. Ao que fui, a quem costumava ser. E não falo isso por considerar que fui uma super-pessoa-maravilhosa no passado. Mas como diz uma música que não canso de cantar: às vezes as pessoas só querem ir “back to what they know”, não é?

É que recomeçar é arriscado. Nem sempre é maravilhoso, nem sempre sai como o esperado. Você pode ter a melhor estratégia, mas se não receber as cartas com as quais sabe jogar, o caminho é tortuoso.  Perdida, por um tempo neguei a mudança que se apresentava necessária para mim, sem reconhecer a mim mesma em minha própria vida.

Estranho, no mínimo. E desafiador. Mas o tempo – sempre ele – foi certeiro. Não demorei tanto para perceber que o apego ao passado é puramente manifestação do ego, que não suporta a ideia de um recomeço.

O ego não quer construir alicerces depois de um dia ter achado que estava no topo. Sem o passado, ele acha que não somos nada. E pode ser triste para quem quer carregar medalhas no peito, mas ser nada é apenas o portal para infinitas possibilidades. Possivelmente melhores que o seu passado, se você der uma chance.

Posso nomear infinitas coisas que sinto falta na minha vida. Mas nem com toda a força do meu querer eu poderia voltar ao que já fui, situações que já vivi ou circunstâncias que passei. Tudo é história, é a versão que escolhemos contar. O cenário e personagens são apenas parte da realidade. Aqui ou do outro lado do mundo, nada nunca será de novo aquilo que já foi.

Ter o que lembrar e sentir falta é sintoma de vida feliz. Viver incessantemente em busca da felicidade inicial causada por tão complexa combinação de tempo e espaço é sintoma de infelicidade eterna. É que o melhor da vida não está no passado. E desconfio que nem depois alguma grande realização que projetamos para o futuro. Mas isso é assunto para outra dose de inspiração. Dessa vez, minha conclusão é simples: nada será como antes. Ainda bem!

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Juliana Vidal tem 24 anos, é jornalista pós graduanda em Marketing. Desde que lembra é uma mistura de opostos: virginiana e desorganizada; comunicativa e tímida; aventureira e pacata. Gosta de viagens reais e imaginárias e escreve sobre o que sente (ou sentiu. timing não é seu forte).

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