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POR Bárbara Hellen

Não me identifico com dogmas, e agora?

Colunistas / 14.12.16

Buda, Cristo e Maomé, e todos os seres iluminados que apareceram, nunca deram regras ao mundo. Eles só deram amor. Os códigos de conduta que conhecemos foram trazidos pelos discípulos, e não por eles próprios. E são esses códigos de condutas que muitas pessoas seguem a risca, sem ao menos questionar.

O meu lado curioso sempre me incentivou a buscar mais, a ler sobre diversas religiões e doutrinas, a conhecer sempre o outro lado da coisa. Para mim, espiritualidade é, antes de tudo, uma maneira de a gente se conhecer e de reafirmar quem somos. E a dificuldade na busca pelo autoconhecimento é essa: as pessoas hoje em dia não querem ser elas mesmas, querem apenas se tornar cópias dos outros.

Só que eu, mesmo com uma base familiar católica forte, nunca fui tão interessada em seguir a risca os conceitos da igreja cristã. Sempre preferi seguir o meu coração, antes de tudo.

 “Escutando o seu próprio coração, você jamais ficará dividido. Escutando o seu próprio coração, você começará a se mover na direção certa, sem jamais pensar no que está certo e no que está errado” (OSHO)

Para mim, devemos ser uma versão original do que somos já que não existe duas pessoas iguais. Nem irmãos gêmeos são iguais. Cada pessoa possui sua própria individualidade e história, por isso que nunca fez sentido esperar que todos sigam os mesmos conceitos religiosos e as mesmas crenças. Para mim, toda pessoa tem que ouvir os sussurros do seu próprio coração e seguir eles, antes de tudo. Para algumas pessoas, esses sussurros aproximam mais de religiões como caminho para a iluminação. Para mim, esses sussurros me aproximam de lutas que antes eu não pensava que abraçar.

 “O coração fala com uma voz muito tranquila, muito baixinha. Ele não grita.” (OSHO)

Não tem como atingir a iluminação sem respeitar quem nos somos e a nossa voz interior. É abraçar erros. Cometer erros não significa que você vai seguir o caminho errado. Cometer erros é maravilhoso! E o legal é saber que quando deixamos de cometer os mesmos erros, crescemos. Crescemos de dentro para fora e não só fingimos que somos o que não somos.

Depois de perceber que o caminho que minhas amigas seguiam não era o que caminho que eu queria seguir, minha vida ficou mais leve… O nosso interior nunca mente! Ele sempre vai deixar claro o caminho a seguir por algum propósito – pelo o SEU propósito. A vida é um mistério, mas acredito demais que no final tudo se ajusta e ocorre da maneira certa. E senti que não poderia jamais deixar de lutar pelo o que eu acredito porque a Bíblia diz que tal coisa é pecado, ou porque o padre diz que tal religião é “do inimigo”. Não conseguiria ser quem sou se abandonasse e aceitasse dogmas sem ao menos questionar.

Viver não é uma coisa definida, é um processo e não há meio de atingir a vida a não ser vivendo ela, estando na vida, querendo viver ela em plenitude. Como você vive sua vida em plenitude? É na igreja? Então você está no caminho certo. Por não ter caminho fixo, a vida nos propõem diversas possibilidades. Mas, ao contrário de muita gente, digo com tranquilidade: não se espante se ela te afastar da igreja, pode ser que neste momento você perceba que está próximo de Deus como nunca antes.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portalguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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4 respostas para “Não me identifico com dogmas, e agora?”

  1. Afinal, somos uma centelha do que, unanimemente, as religiões tem como divino, logo, temos que primeiro “buscar a espiritualidade” dentro de nós mesmos e, aceitando, o que os olhos da alma nos mostram, viver em plenitude nossa formam única de viver e conviver.

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