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POR Bárbara Hellen

Obras que representam o popular

Colunas / 05.12.16

Não há nada que represente tão bem as questões sociais do que a arte. Seja na pintura, na música ou em uma obra literária, essas representações demonstram melhor do que qualquer bate-papo a realidade vivida pelas figuras populares. Em um momento em que a luta das classes está cada vez mais viva e torna-se cada dia mais importante, as obras são um lembrete do que superamos e do que ainda precisamos superar.

Polêmico e sensível com essas causas, Candido Portinari retratou lutas, preconceitos, miséria, mas também músicas, brincadeiras e tudo aquilo que ainda compõem parte da nossa cultura.

Em uma exposição organizada pelo Museu de Arte de São Paulo, que tive o prazer de ver em novembro, nomeada de Portinari Popular, estava o recorte específico das obras de Candido: pinturas com temas, narrativas e figuras populares. Deixa-se de lado os retratos da elite brasileira para dar vez, mais uma vez, aos lavradores de café e de outras culturas, lavadeiras, músicos, garimpeiros, o cangaceiro, o retirante, a baiana, a índia Carajá, os negros, mulatos, índios.

Em um momento que continuamos com dificuldade de debater a realidade social e identidade cultural do nosso país, vemos uma representação que pode parecer hiperbólica, mas não é, e vêm o lembrete: até que ponto somos sensíveis para evitar que nossa realidade de hoje vire uma representação tão triste em nosso amanhã?

PORTINARI POPULAR
A exposição durou de 12.8 a 15.11.2016 no MASP, que possui 18 trabalhos do pintor – inclusive a tela Retirantes (1944) que ilustra esse texto.

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