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POR Vitória Colvara

Pra lá de Marrakesh

Colunistas / 21.11.16

A música brasileira me encanta. A língua portuguesa me encanta. A vastidão do nosso vocabulário e a riqueza das nossas palavras que através de versos se transformam em rimas e se enchem de significado é realmente algo muito belo para os meus olhos e para os meus ouvidos. Só o fato de sermos os únicos a sentir, verdadeiramente, saudade, já nos coloca em uma posição diferenciada no rol linguístico mundial.

E falando em mundo, vamos ao que me trouxe até aqui. Entre os dias sete e dezoito de novembro, aconteceu a vigésima segunda Conferência das Partes (COP 22) sobre as Mudanças Climáticas em Marrakesh – Marrocos, onde se reuniram as delegações de mais de 190 países para debater a respeito das mudanças climáticas buscando firmar acordos com adesão internacional para a adoção de medidas capazes de amenizar os efeitos nocivos do aumento da temperatura global.

Na COP 21, que aconteceu em Paris no ano passado, o Brasil assinou o acordo de Paris, que, para nossa alegria, foi ratificado em tempo recorde. Tal acordo visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa através de políticas como o desmatamento zero e o reflorestamento de pelo menos 12 milhões de hectares.

Apenas a título de esclarecimento, nesse universo que é o Direito Internacional, a ratificação é o processo pelo qual o governo aprova o tratado e o converte em normas nacionais. A mera assinatura do tratado, acordo ou convenção, não nos vincula diretamente, pois ainda respeitamos o Princípio da Soberania Nacional segundo o qual cada País tem total soberania sobre as suas riquezas e os seus recursos naturais. E aí surge uma provocação: “Afinal, até onde vai o direito de uma nação de provocar degradação ambiental que afete não apenas a sua população, mas também outros povos, no presente e no futuro? ”

Se cada um age por conta própria, então qual o sentido de fazer reuniões a nível global para discutir um tema específico? Bom, acontece que as pessoas já se deram conta de que os danos ambientais não obedecem a nenhum tipo de fronteira. Seja ela política, geográfica ou econômica. Sendo assim, se torna cada vez mais urgente a cooperação entre países para a resolução dos problemas de ordem global.

Não sei se por ironia do destino, mas nos últimos anos, as COP’s têm ocorrido diante de uma verdadeira instabilidade global e política. Com o resultado das eleições nos Estados Unidos, o clima estava bastante tenso, uma vez que o Presidente da maior potência mundial não apresenta nenhuma preocupação com as mudanças climáticas e defende a ideia de que tudo não passa de uma enorme conspiração verde. Oi?!

Bom, o que eu sei é que de fato, nós, seres humanos, não temos a capacidade de destruir o Planeta ou de acabar com a natureza. Em um dia de chuva no Cerrado após um incêndio, qualquer pessoa chega a essa conclusão lógica. Nós fazemos parte do meio ambiente, e por mais que estejamos a anos tentando dominar e subjugar a natureza, ela tem demonstrado através de catástrofes nada agradáveis o quanto somos insignificantes.

Podemos optar entre buscar alternativas sustentáveis e viver mais tempo no Planeta de maneira harmoniosa, garantindo que as próximas gerações tenham acesso aos recursos naturais; ou podemos continuar fazendo tudo exatamente igual, contribuindo para um colapso não muito distante e para as mais terríveis injustiças ambientais.

Eu prefiro a ideia de prevenir o dano. E isso se aplica em todas as searas da nossa vida. É muito melhor, por exemplo, cuidar da própria saúde, se alimentando adequadamente e praticando exercícios físicos, evitando a doença, do que se entupir de remédios para tratá-la e entrar num ciclo vicioso dolorido. Mas, infelizmente, ao que tudo indica, os grandes representantes do nosso Planeta, preferem remediar.

“Berro pelo aterro, pelo desterro. Berro por seu berro, pelo seu erro”

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Vitoria Colvara tem 25 anos muito bem vividos. Apaixonada por viagens, crianças e livros. Advogada, professora de espanhol, kitesurfista e escaladora, não necessariamente nessa ordem. Ambientalista de corpo, alma e coração.

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