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POR Vitória Colvara

Plante o bem

Colunistas / 25.10.16

Quem nunca entrou num desses sites compartilhados pelo Facebook com dicas para fazer uma hortinha em casa? Bom, eu já entrei em vários, já assisti a alguns vídeos no YouTube e já passei horas e horas em departamentos de jardinagem comprando os produtos certos para ter uma hortinha perfeita. Li e reli a respeito do clima, do que plantar em cada época, de como plantar e blábláblá. Mas entre a teoria e a prática há um abismo gigantesco, tanto para plantações, quanto para a vida, e, infelizmente, quase ninguém conta isso pra gente.

Como a maioria das pessoas que eu conheço, a minha experiência de vida com plantação se resume a um caroço de feijão dentro de um algodão em meados da primeira série do ensino fundamental. De vez em quando me pego pensando se existe um universo paralelo para onde são enviados todos os pés de feijão plantados por todas as crianças desse planeta. Seria um lugar legal pra se viver.

Pois bem, na escola não nos ensinam a plantar, nem em casa. Aí vem o fatídico dia que você resolve ter a própria horta ou então, até antes disso, o dia em que você, passando por uma floricultura qualquer, se encanta com um vasinho de violetas e leva para casa, e aí, por mais que você regue, em poucos dias elas murcham e morrem. E junto com elas se vão todas as suas esperanças de plantar algo. Não desanimem!

No meu aniversário do ano passado, meu irmão e minha cunhada, conhecedores da minha paixão pela natureza, me presentearam com um kit jardinagem na minha cor preferida. Um encanto só, não fosse pelo fato de eu não fazer a menor ideia de como usar todas aquelas ferramentas. E mais uma vez, antes mesmo de tentar plantar algo, me veio logo uma frustração ao lembrar de todas as plantinhas que já morreram sob os meus cuidados.

Resolvi encarar o desafio mais uma vez, cortei galões de plástico para usar como vasos e fiz furos ao fundo, mas foi preciso que minha avó viesse passar uns dias comigo para eu descobrir que meus furos foram muito pequenos e que, por conta disso, sufoquei minhas plantinhas. Foi a minha avozinha, sem nunca ter lido nenhum dos milhões de sites sobre jardinagem, que me ensinou a maneira correta de trocar uma plantinha de vaso sem machuca a raiz.

Ao observar a atenção que minha avó dava as minhas plantinhas, eu até me lembrei daquela frase do livrinho do pequeno príncipe, “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez dela tão importante” e plantar é isso mesmo, é dedicação, cuidado, atenção, hábito. Mas querem uma dica? Não comecem pelas rosas. Comecem pelas plantinhas mais resistentes mesmo, aquelas folhinhas que você sabe que vai ser bem difícil deixar morrer. E aí aos pouquinhos, depois de tornar-se um hábito esse cuidado com o seu jardim, parta para as plantas que exigem uma maior atenção.

O mesmo se aplica para as hortas. Alho, cebola e manjericão são excelentes e super resistentes, diferentes dos tomates e do alecrim que são um pouquinhos mais difíceis. Antes de saírem por aí pesquisando tamanho de vasos, comprando uma estante para colocar as plantas na varanda, comecem aos poucos e comecem sabendo que há chance de fracassar e que você está APRENDENDO a cuidar de plantas que assim como seu gato ou cachorro, são seres vivos e não meros objetos de decoração. Ao entender os ciclos ecológicos da vida, você não vai se sentir tão mal ao ver sua pimenteira secar.

Não se renda às flores de plástico antes de ter o gostinho de ver desabrochar uma flor de verdade bem diante dos seus olhos. E se você é daquelas pessoas privilegiadas que mora em casa ou em andares mais baixos, prepare seu coração para visitinhas sensacionais como as abelhinhas e os beija-flor.

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Vitoria Colvara tem 25 anos muito bem vividos. Apaixonada por viagens, crianças e livros. Advogada, professora de espanhol, kitesurfista e escaladora, não necessariamente nessa ordem. Ambientalista de corpo, alma e coração.

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3 respostas para “Plante o bem”

  1. Maravilha de texto e um pensamento apaixonante.
    Parabéns pela visão de mundo!!!

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