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POR Bruno Pereira

(Des)esperança

Colunistas / 24.10.16

Pudesse então abrir a porta e correr correr correr correr quilômetros em busca daquela esperança que também correndo correndo correndo correndo insiste em ir embora para sei lá onde ou com quem e. E foi a partir desta inquietação que eu, ainda cego e perdido, corri e tropecei em mim mesmo numa forma desesperadora de acertar e errando cada vez mais até o momento em que eu fiquei sozinho e triste e chorando e. E eu fui e você sabe que eu iria até o fim e que eu ficaria até o último minuto de sua de minha da nossa vida e que eu ficaria além de tudo isso porque eu queria ter você e. E numa tentativa angustiante para que me olhasse para que além de tudo isso você me visse eu fiquei naquela tarde fria daquele dia frio e chuvoso daquele dia doido e doído eu fiquei te esperando com centenas, não, centenas, não, com milhares de rosas vermelhas que pareciam aquelas que você tinha pintado no seu mais novo quadro que simbolizava sei lá o que, que não simbolizava nada, como nada do que estava fazendo simbolizava nada além de amor e. E com tanta chuva e molhado te esperando e você não vindo as rosas foram desbotando e eu ficando sujo de vermelho como se sangrasse e eu sangrava mas ninguém via minha dor minha ferida e. E eu não iria te abraçar caso aparecesse porque eu não queria que me tivesse naquele momento em que eu estava sujo e podre e úmido e você tinha que guardar o momento mais bonito que eu tivesse a te oferecer e por isso nunca te abraçava quando ia embora porque ir embora significava te deixar e te deixar é sinônimo de me deixar e me deixar é morrer e. E eu fiquei e fui ficando e você não vindo e as rosas descorando e eu não sabendo se chovia mais fora ou dentro de mim se você me aceitaria naquele estado ou se você me afastaria com o gesto mais cruel que se pode fazer e. E eu não me importando mais com o que você pensaria de mim porque eu só queria que sentisse que eu estava ali que eu nunca tinha partido daquele lugar em que eu estava desde o primeiro minuto do primeiro dia que cruzei com seus olhos-de-menino-querendo-ser-adulto-e. E eu não sentia mais frio nem a chuva que caía nem medo nem dor porque eu tinha reconhecido todo o meu precisar daquele menino que não vinha nunca e quando reconhecemos a precisão perdemos tudo, ficamos nulos e. E não importa o quanto ele se afaste o quanto ele me impeça de tocar eu esperarei todo o tempo do genuíno amor. Espero-o e me destrói. Escrevo-o e volto a viver.

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Bruno Pereira é carioca; 26 anos; virgem com ascendente em câncer e lua em libra; assino Bruno P.; beletrista pela UFRJ; pós-graduando em Literatura; professor; ator amador no palco da vida; modelo; penso bastante, falo às vezes, escrevo sempre: escrevedor, menos escritor.

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