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POR Paoula Braid

O ódio bienal

Colunistas / 07.10.16

Queria saber em que momento exatamente nos tornamos assim, essa geração de ódio uns pelos outros. Não sei se é um efeito bienal que acontece a cada eleição ou se essa falta de compreensão com quem pensa diferente da gente sempre existiu e simplesmente se acentuou.

Estamos vivendo um momento em que colocamos mais as nossas opiniões em evidência, seja pelas redes sociais ou porque aprendemos com o tempo a nos posicionar. E eu acho isso lindo! Adoro ver gente com um monte de opinião diferente da minha, que me faz pensar, que me faz ver outro ângulo.

Mas como tenho ficado triste com os egoístas que tenho encontrado pelo caminho, com gente que não consegue se colocar na posição do outro.

Ontem o STF decidiu em medida cautelar sobre a prisão após condenação em 2ª instância, ouvi praticamente todos os  votos, me identifiquei com a parte de alguns, outros nem tanto. Pensei muito em quem é vitima do Estado ou em quem tem sua inocência provada nos últimos suspiros de um processo.

Pensei no que eu acredito, entendi perfeitamente que os sucedâneos recursais prejudicam e que muitas vezes o processo pode chegar à prescrição, sendo até usados de forma suspeita. Só que particularmente não acho aceitável haver relativização de um princípio constitucional, ou melhor, usar o pretexto de “combate à impunidade” para gerar ilegalidade. Mas eu pensei, eu ouvi os dois lados.

A nossa opinião tem sido diretamente bombardeada pela mídia, pela Esquerda ou Direita, na verdade nesses tempos de Lava Jato tenho visto que as pessoas realmente se dividem em lados. Para alguns a decisão do STF foi um ganho, foi uma forma de combatermos a corrupção e não paramos um pouco para pensar qual é a sua real abrangência. Saibam que se esse fosse um assunto fácil de ser resolvido não teríamos uma votação tão apertada.

Isso é só um assunto isolado em meio a tantos que geram ofensas desnecessárias e que observamos todo dia, os de esquerda são xingados de burro a todo instante, de ignorantes, por um grupo que se acha superior e vice-versa, todos se acham certos e nenhum dos lados consegue ter a humildade de ver um pouco o porquê das opiniões diversas.

Nunca tive ideologia política, sempre votei pela história de vida de cada candidato, sempre me apeguei em saber como ele chegou ali, o que a trajetória dele transparece. E eu sei perfeitamente que talvez esse não seja o melhor tipo de classificação que uma cidadã deva fazer, mas sei reconhecer e ouvir.

Perdemos tanto tempo discutindo que deixamos de ganhar, deixamos de construir opiniões sensatas ou de pelo menos pensarmos nelas de uma maneira mais imparcial.

Tenho visto amizades se desfazendo por conta de política, tenho visto famílias se desentendendo porque os membros não concordam sobre o mesmo assunto. Mas tem pior, tem gente julgando o seu caráter pelo que você acredita.

Entendam uma coisa: o colega ser de Esquerda ou Direita não traduz quem ele é, não diz a história dele, não mostra no que ele realmente pensa! Ideologia política é só uma entre tantas outras que temos.

Se você anda classificando as pessoas assim, lembre-se que em poucos meses isso passa e você deixou de conhecer ou de manter as pessoas que deveria por conta de pré-julgamentos. Você gostaria de ser julgado por UMA opinião em meio a tantas que tem?

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Paoula Braid, 25 anos, advogada em busca de um cargo público, morando em Brasília por motivos do coração e vivendo a sua maior aventura: o casamento.

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Uma resposta para “O ódio bienal”

  1. Parabens pelo texto. Ha tempos que nao via alguem escrevendo sobre o odio e a separacao que vivemos hoje. O radicalismo esta sendo globalizado. Direita radical x esquerda radical. Pessoas deixando de viver em nome de ideologia politica. Violencia. Crime. Intolerancia. Tenho assistido briga entre vizinhos. Entre familias em razao da intolerancia. Aprendi que temos 02 (dois) ouvidos para escutar mais do que falar. Temos que aprender todos os dias para continuar evoluindo!!!!!!

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