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POR Isabela Murad

Olhar de arquiteto

Colunas / 04.10.16

Construir sonhos e criar a identidade de um local. Um trabalho que envolve paixão… Pelas formas, pela arte e até pelo bem estar. Eu, que sou amante da criação feita com letras, admiro demais aqueles que são capazes que reunir todas as características acima para transformar espaços e criar ambientes que causem sensações. E é por isso que hoje entrevistei Isabela Murad, destaque entre os novos nomes da arquitetura maranhense e que, assim como nós, tem a formação e a dedicação pelo que faz como diferencial.

Bárbara Hellen – Sempre achei arquitetura uma profissão muito vocacional, parece que quem escolhe arquitetura nasceu para essa profissão e sempre viveu nesse ambiente, sempre teve esse interesse. Com você foi assim? Como foi a escolha em ser arquiteta?

Isabela Murad – Bárbara, para mim, arquitetura está 100% ligada à arte. Acredito que essa profissão é vocacional, é algo muito forte que trazemos dentro da gente. O belo, a proporção, os detalhes, o abstrato, a percepção, estão presentes na vida do arquiteto mesmo antes dele saber a profissão que vai escolher.

Sempre amei arquitetura, design e arte. Desde criança desenhava tudo o que via na minha frente, era o meu passatempo preferido. Lembro que no colégio fazia umas letras estilizadas com o meu nome em todos os meus cadernos e minhas amigas me pediam para desenhar o nome delas também. Brincava que ia começar a cobrar pelo trabalho, porque virou moda na sala.

Na hora de escolher que faculdade fazer, foi um momento difícil para mim, porque o meu coração pedia para fazer arquitetura, porém tinha medo de fazer o curso, pois não enxergava mercado de trabalho aqui em São Luís. Acabei optando por fazer direito, achando que seria uma profissão promissora.

BH – Lembro você contando que mudou de direito para arquitetura e design. O que motivou essa mudança?

Cursava direito, mas era infeliz. Não tinha motivação, estudava para passar nas provas, não me identificava com o Direito.

O meu pensamento era finalizar o curso de Direito para começar a fazer Arquitetura. Mas minha mãe, vendo o meu dia a dia, resolveu me inscrever no vestibular sem me avisar. Fiquei sabendo na semana da prova, com o apoio dela me senti segura para mudar de curso.

BH – A gente estava conversando sobre o curso que você fez em Barcelona, depois da faculdade, e que tinha uma metodologia totalmente diferente do que temos aqui no Brasil. Qual é essa principal diferença? Qual foi o principal aprendizado deste curso?

A principal diferença é que na Europa os alunos aprendem a pensar fora da caixa, a serem livres para criar e não seguir um padrão. O conceito do projeto é ainda mais importante do que o trabalho gráfico.

Aprendi que devemos defender nossas ideias sempre, acreditar no que pensamos e criamos. Se tivermos um conceito forte por traz de um projeto, as pessoas acreditarão em nosso trabalho.

BH – Além do curso em Barcelona, você também morou um tempo em Nova Iorque, uma cidade que é muito diferente de São Luís, por exemplo. Como foi sua experiência por lá? Também fez cursos?

Escolhi as duas melhores cidades do mundo para morar, Barcelona e Nova York. Me sinto muito feliz por ter tido essas duas oportunidades incríveis.

Fui para Nova York trabalhar em um estúdio de design que faz projetos comerciais em vários países. Foi uma experiência incrível, pois tive a chance de trabalhar com profissionais maravilhosos, conhecer a metodologia de trabalho de um escritório internacional e lidar com marcas conhecidas mundialmente. Tive a oportunidade de fazer parte do projeto de renovação da identidade visual da Godiva. É maravilhoso saber que meu trabalho está inserido em uma das lojas de chocolates mais conhecidas do mundo.

BH – Como você adaptou todas essas experiências fora do Brasil para a realidade de São Luís?

Precisamos adaptar o nosso trabalho sempre, não só pela cidade que vivemos, mas porque hoje em dia tudo muda com muita rapidez e precisamos estar atentos a estas transformações.

Procuro ser o melhor que posso sempre, passar para o cliente segurança, informação e dedicação. Executamos os sonhos das pessoas e precisamos fazer isso bem feito.

BH – Alguns arquitetos e designers são referência para você, com certeza. Como é o caso de Sérgio Rodrigues, que eu já vi em alguns dos seus projetos. Como ele virou referência? Existe outro nome que te influenciou profissionalmente?

O Sérgio Rodrigues é referência para o Brasil. Ele foi o arquiteto que levou o design brasileiro a ser reconhecido internacionalmente. Admiro muito a sua trajetória e o amor que ele tinha pela nossa principal matéria prima, a madeira. Seus móveis são atemporais, passam de pais para filhos.

A arquiteta Zaha Hadid também teve uma influência muito grande para mim. Foi a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura e realizou as obras mais sensacionais que já pude presenciar. Sempre a frente de tudo e de todos, projetava a arquitetura do futuro que pertencia ao presente.

BH – Acho que todo mundo que monta um escritório também acaba trabalhando como administrador daquele negócio. Como você faz isso? Como teu escritório atualmente é organizado? Você comanda tudo ou as funções são divididas?

Ser dono do seu próprio escritório de arquitetura não é uma tarefa fácil, mas é um sonho que para ser realizado, precisa de muita dedicação. Precisamos assumir inúmeras tarefas na correria do dia a dia e ainda ter um cuidado especial com a área administrativa e financeira do negócio. Se essas bases não forem sólidas, não conseguimos manter o escritório por muito tempo. Sugiro a todos os profissionais de arquitetura fazer um curso de gestão.

Precisamos dividir funções para o crescimento de todo o negócio, pois ninguém constrói nada sozinho. Arquitetos, projetistas, cadistas e estagiários fazem parte do quadro de pessoal do escritório para um funcionamento perfeito. Algumas funções podem ser terceirizadas de acordo com a demanda de projetos.

BH – Muitas pessoas reclamam que o mercado de São Luís é limitado. Com a crise, o mercado da construção foi um dos mais afetados e logo a arquitetura não escapou disso. Nesse cenário, qual é a área onde há mais oportunidades? E qual é a principal dificuldade enfrentada pelos arquitetos locais?

Todo mundo foi afetado pela crise, o mercado imobiliário praticamente parou. Muitas pessoas que tinham planejamento de abrir um negócio ou de comprar um imóvel resolveram esperar para continuar o investimento.

Acredito que o projeto de interiores tenha uma demanda melhor, devido às pessoas estarem migrando das suas antigas casas para apartamentos com melhor localização e em busca de maior praticidade e segurança.

BH – Se você pudesse sugerir para um estudante que ainda tá em dúvida do que cursar, porque escolher arquitetura?

Para ser arquiteto é preciso amar a profissão. Construímos os sonhos das pessoas e somos responsáveis pela identidade de uma cidade. Podemos promover a qualidade de vida da sociedade com planejamento e mobiliário urbano, pensamos em cada detalhe para facilitar a vida de todos.

BH – Para finalizar, quais são os próximos passos e planos que você pode nos contar?

Estamos em obra com o nosso novo escritório, um novo conceito de Arquitetura vem aí…

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