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POR Anna Júlia Leão

São Luís é um vício

Colunistas / 21.09.16

Tipicamente conhecida como ilha do amor ou Jamaica brasileira, São Luís é uma cidade digna de alguns comentários. Com uma costa litorânea de tirar o folego às 18h, tem deixado muito a desejar. Nem tão pequena como um interior e nem tão grande como uma metrópole, mas cheia de vícios, ostentação e picuinhas.

Todos, impreterivelmente, que costumam viajar ou que já moraram aqui e foram embora chegam a um ponto em comum: São Luís é um falatório. Falam porque você se separou ou casou, porque não saiu ou saiu, porque usou tal roupa ou não usou. Falam sem ter o que e pra que falar.

Quando você viaja, a primeira diferença “grotesca” que você percebe é a educação e logo em seguida o falatório, claro. Sei que não há comparações e que São Paulo é a cidade com um dos maiores números de pessoas deprimidas por ano, mas lá as pessoas não reviram a cabeça nem para dar conta se você anda descalço ou calçado. Muitas das vezes, isso é o que falta no lugar onde moramos. Pessoas que deem menos conta de como estamos levando a nossa vida, que cheguem não para querer saber como andam as coisas dentro da nossa casa, mas sim para serem verdadeiros, simples e apenas nos fazerem uma boa companhia.

O profissionalismo, que na maioria das vezes só se consegue as custas de alguém ou alguma coisa, está cada vez mais estampado. São Luís não tem espaço e nem oferece oportunidade para crescimento sem vícios… Você logo se observa limitado a certos lugares e algum grupo, quase como uma coisa sufocante, pra conseguir ter alguma coisa “melhorzinha”. Me revolta ver pessoas sem nenhuma competência ocupando cargos nas mais diversas áreas porque possuem parentes ou amigos que “dão uma ajudinha”. São Luís é uma cidade onde as histórias que rolam são de pessoas que pagam pra poder ocupar certos cargos e homens que alugam carros de luxo pra passar o fim de semana.

Mão de obra qualificada é a coisa mais difícil do mundo. Desde a um bom pedreiro até um médico recém-formado. É plausível que tudo isso tenha uma carga educacional e cultural muito forte, mas ainda aqueles que tiveram oportunidade de sair e voltar para o ninho costumam agir da mesma forma, inflamando os vícios, porque afinal, você e eu também somos produtos do meio.

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Anna Júlia Leão, 19 anos, é maranhense e estudante de Odontologia. Extrovertida, comunicativa e sempre muito interessada na complexidade e psicologia humana.

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6 respostas para “São Luís é um vício”

  1. Acho realmente engraçado ver o quanto as pessoas se revoltam com a verdade. Eu amo São Luis, minha ilha do reggae, do amor, do tambor de crioula. Sempre que viajo faço questão de elogiar essa cidade maravilhosa que por tantos anos me acolheu, onde tive o prazer de estudar e de me formar. Mas nem por isso deixo de concordar com tudo o que foi escrito. A cidade é um falatório sem fim, pessoas que fazem questão de ser fúteis e de classificar os outros de acordo com os seus bens. São Luis, por inúmeras vezes, foi eleita a capital do Brasil onde mais se TROCA DE CARRO POR ANO. Qual o verdadeiro sentido disso para além de uma futilidade extrema e de uma briga de egos? Aí ainda tem gente que diz o absurdo de que o salitre corrói os carros… Como se Sâo Luis fosse a única cidade no litoral desse Brasil, né?

    De todos os modos, os comentários agressivos e grosseiros, longe de deslegitimar o que a menina escreveu, apenas comprovam que, infelizmente, ela está mais do que certa em suas colocações. Aos que querem pintar nossa ilha com as cores dos azulejos portugueses, eu só lamento, pois a realidade é nua e crua e está escancarada para quem quiser ver e principalmente para as pessoas que tem a oportunidade de ter qualquer tipo de experiência em outra cidade.

  2. Eu fico com vergonha não pela cidade histórica de São Luís com toda sua diversidade cultural e património da humanidade. Vergonha por ter pessoas como você sendo ludovicense pensando e escrevendo esse tipo de barbárie. Nem vou me prolongar pq pessoas como vc existe em todo lugar,eu não sou de São Luís porém admiro pessoas que vivem lá por suas histórias de vida e vontade de ser o que são, não o que vc imagina e pelo visto não conhece.

  3. TRISTE LER ISSO ESCRITO POR UMA MARANHENSE, DIFÍCIL REALMENTE UMA CIDADE CRESCER ONDE SEUS PRÓPRIOS MORADORES SAO VIRA LATAS. PROCURE ESTUDAR E TRAZER COISAS BOAS PRA SUA CIDADE OU MELHOR ACHO QUE ESSA LINDA ILHA NAO PRECISA DE VC!!!

  4. Oi???
    Eu tive que ler esse texto de novo porque por um momento achei que estivesse falando de outro lugar.

    Eu não sou de São Luís, mas moro aqui já faz um tempo e as coisas não são bem assim como você coloca. Você está generalizando toda a população de uma cidade simplesmente por algum evento pontual que você viu ou que te relataram. É uma visão unilateral e bastante reduzida que não condiz em sua totalidade com a realidade de São Luís.

    Você diz que todos que viajam pra cá chegam ao ponto em comum de dizer que a cidade é um “falatório”. A meu ver, essa é uma opinião sua e não de todos. Tenho muitos amigos que moram em outras cidades e que adoram São Luís pelas pessoas, pelas praias, pelas baladas…

    “Grotesca” é a forma como você fala da sua própria terra. A descrição diz que você é estudante de odonto, e já que você diz que até os médicos recém-formados não tem qualificação então você vai se formar sem ter também?

    “São Luís é uma cidade onde as histórias que rolam são de pessoas que pagam pra poder ocupar certos cargos e homens que alugam carros de luxo pra passar o fim de semana.” Eu não sei em que realidade você vive, mas se essas são as histórias que você ouve, você precisa sair mais de casa.

    É lamentável que alguém que se diz estudante de um curso de graduação tenha uma opinião tão depreciativa de sua própria terra. E é mais preocupante o fato de você generalizar as pessoas pela atitude de um ou outro. Nesse contexto, dizer que o ludovicense não tem educação é o mesmo que dizer que o carioca é traficante, que o manauara é índio ou que o belo-horizontino é caipira.

    A minha dica pra você é: conheça primeiro a cidade e depois fale sobre ela pra não pagar um mico desses de novo.

  5. É lamentável esse falatório sobre a vida das pessoas. Eu nunca entendi essa vontade de ficar horas comentando sobre o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, como se a própria pessoa falando fosse isenta de defeitos ou superior aos demais… Casa fofoquinha besta e sem sentido.

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