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POR Bruno Pereira

Queria falar sobre

Colunistas / 21.09.16

Queria falar sobre escrever. Queria falar sobre poesia. Sobre prosa. Queria falar sobre o fazer poético. Queria falar sobre morte. Queria falar sobre vida. Queria falar sobre o refazer-se. Queria falar sobre o tempo. Queria falar sobre a fé. Queria falar sobre religião. Queria falar sobre culto. Queria falar sobre energia. Queria falar sobre o místico. Queria falar sobre a incompreensão humana. Queria falar sobre o espiritual. Queria falar sobre a mata. Queria falar sobre o vento. Queria falar sobre a rocha. Queria falar sobre o fogo. Queria falar sobre a água. Queria falar sobre Orixá. Sobre Deus. Sobre deuses. Queria falar sobre arte. Queria falar sobre Domingos. Queria falar sobre o Santo. Queria falar sobre Chico, o velho, o rio. Queria falar. Queria cantar. Queria interpretar. Queria poetizar o impoetizável. Queria falar sobre a quase morte de Santo. Queria falar sobre as águas do Chico que o salva na ficção. Queria falar sobre o sonho. Queria falar sobre o mistério. Queria falar sobre o outro mundo. Queria falar sobre o índio e sua sabedoria. Queria falar sobre o seu som. Queria falar sobre o poder da terra e da natureza. Queria falar sobre o vigor da palavra. Queria falar sobre a veracidade da literatura. Queria falar sobre o branco que veste Santo. Queria falar sobre o mergulho nas águas limpas de Chico. Queria falar sobre o desespero. Queria falar sobre a partida. Queria falar de Domingos como Santo. E de Santo como Domingos. Queria falar, hoje, do Santo que veste branco. Queria falar sobre almas. Queria falar sobre renascimento. Queria falar sobre o que está escrito. Queria falar sobre a nova estrela que brilha sobre o São Francisco. Queria falar da nova vida daquele que entrou no rio para sê-lo. Queria falar sobre a licença para os trabalhos na natureza. Queria falar sobre o coração puro, e esse pode ir aonde for que estará protegido. Queria falar sobre os nossos limites físicos e mentais, mas nunca dos espirituais; estes evoluem, vão, perpassam, seguem. Queria falar que a natureza nunca roubaria a vida de alguém, mas nos daria – e dará – uma nova vida. Queria falar sobre ir. Queria falar sobre luto. Queria falar sobre o negror da tristeza. Mas prefiro, prefiro, prefiro falar sobre o branco da paz. Toca o tambor ao fundo. Canta Oxum com sua doçura o amor, acompanhada por Oxóssi pelo o verde das árvores que circundam o rio, junto a Xangô e as suas firmes pedreiras, vista do alto por Iansã, ventando para longe as intempéries, e Ogum, com sua espada apontando um novo rumo, recebendo as bênçãos ancestrais de Nanã e Obaluaê até desaguar em Iemanjá, iluminados, todos eles, pelo sol de Oxalá. Todas as energias se encontram e nos fazem, ao mesmo tempo em que, humildemente, a fazemos com nossas boas intenções. Não é religião, é fé. E só a fé no amor é que nos salva. Para alguns: Axé!

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Bruno Pereira é carioca; 26 anos; virgem com ascendente em câncer e lua em libra; assino Bruno P.; beletrista pela UFRJ; pós-graduando em Literatura; professor; ator amador no palco da vida; modelo; penso bastante, falo às vezes, escrevo sempre: escrevedor, menos escritor.

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