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POR Bárbara Hellen

Você abraça quem você é?

Colunistas / 19.09.16

Considero-me uma pessoa fechada para novas amizades, apesar de ser uma pessoa bem comunicativa. Isso porque, ao longo dos anos, fui percebendo que muitas pessoas ao seu redor permanecerão apenas na sua “casca”. Elas não vão querer adentrar as suas profundidades, conhecer suas qualidades peculiares e muito menos estarão afim de saber  sobre sua história. Será mais fácil te rotular a partir do que elas acham e ficarão assim, com esse rótulo, independente se você tente ou não mostrar mais Click This Link. Esses rótulos variam desde a sua aparência, até seu sobrenome, e passando até pelas suas preferências de roupas. Não importa se o rótulo não condiz com a realidade. Para a maioria, é mais fácil aceitar estereótipo do que realmente compreender o outro.

Na faculdade, por exemplo, vinha de uma escola particular e sempre fui arrumadinha. Para piorar a situação, ainda inventei em fazer um blog de moda. Ou seja, tinha o rótulo de patricinha todo em cima de mim. E para muitos, esse rótulo ficou. Naturalmente, a vida me aproximou de pessoas que viram além da preconcepção, eles me viram como eu realmente sou. Além das roupas! Não que eu seja melhor do que uma “patricinha fútil”. Pode ser que eu nem seja! Mas sou eu… Com minhas qualidades e defeitos. E esses colegas, únicas nas suas qualidades e defeitos também, viram e aceitaram isso. Não precisei fingir que eu era outra pessoa para me encaixar, eles conseguiram encaixar “uma patricinha” na sua vida e puderam ver o quanto éramos parecidos, mesmo com histórias aparentemente tão diferentes.

Você aceita quem você é? Com sua história, seus defeitos, seus parentes doidos e suas amizades? Você aceita que a sua realidade não é a mesma do outro, mas que isso é ok?  Muitas pessoas não se aceitam e outras não aceitam os próximos. Por isso, tem muita gente por aí que fica tentando ser o que não é. Prefere colocar uma fantasia aceitável do que colocar para jogo quem elas são.

É preciso ter coragem para admitir quem você é! É preciso ter muita coragem para abraçar sua história, por mais turbulenta ela seja ou por mais que as pessoas a julguem. Ser quem você é e ter orgulho disso é um papel que a maioria das pessoas não sabe interpretar! Admitir quem você é e admitir até a bagagem que você leva (histórias, amigos, erros..) é admitir que talvez você não vá ser querida por todos. E que talvez a maioria vá te julgar de alguma forma.

Demorei em abraçar quem eu sou. Abraçar que eu, muitas vezes, prefiro ficar em casa a ir para a balada. Abraçar que eu não sou a típica jovem e que talvez eu seja fresca para várias coisas. Abraçar que eu não gosto de cerveja. Abraçar que eu não tenho que ter vergonha das oportunidades que conquistei. Abraçar que eu prefiro cabelo curto a longo. Abraçar que não tenho o corpo perfeito e não sou a mais bonita de todas. Mas tudo bem, porque essa sou eu e tenho muito que me orgulhar. Quando abracei todas as minhas qualidades, meus defeitos, minha história de vida, pude perceber que quando você se abraça, você não precisa do abraço de ninguém.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portal tvguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

2 respostas para “Você abraça quem você é?”

  1. Muito interessante seu texto, tem uma conexão interessante com um texto q li há um tempo (não lembro quem o escreveu, falha minha pois não darei os créditos a quem de direito) mas dizia assim: “Eu adoro o que eu digo, é impressionante como eu me encanto com o que eu mesmo falo, é impressionante como eu entendo quando eu mesmo explico, então o que acontece porque tem gente que condena, considera isso arrogância, mas pare para pensar: Se voce vai ter que conviver com voce mesmo ate o fim, se voce vai ter que se aguentar até o fim, se voce vai ser expectador de voce mesmo até o fim, é melhor que se encante com o que faz, porque senão a vida não valerá a pena”. Apesar de realmente parecer arrogante este ponto de vista, característica desprezível numa pessoa, o texto é pura realidade.

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