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POR Andressa Valadares

Beije-se!

Colunistas / 15.09.16

“Eu não sei viver sem ele”. Essa é uma frase que já ouvi inúmeras vezes da boca de algumas amigas. A mesma frase vinha sempre acompanhada daquela velha súplica em busca de uma solução milagrosa para salvar o que já não tinha mais jeito: “O que eu faço? PelamordeDeus, me ajuda!!!”. A gente até tenta dar aquele tapinha nas costas, diz algumas palavras duras, mas a verdade é que aperta o meu coração ouvir alguém dizer que não sabe viver sem algo/alguém com um mundo desse tamanho, povoado por mais de 7 bilhões de pessoas e outros trilhões de quilômetros para se explorar.

A dependência emocional é uma realidade inerente a todos nós, pobres seres humanos. Crescemos, na maioria das vezes, moldados pela fábula de que só outra pessoa é capaz de nos completar e nos dar aquela sensação de felicidade plena que tanto almejamos. Esquecemos que fábulas são apenas fábulas, seres humanos são imperfeitos e que a nossa felicidade só depende de… Nós! Não aprendemos a lidar com as frustrações e, quando aquilo que supúnhamos conto vira um pesadelo, recusamo-nos a acordar e a lidar com a realidade.

O mais fácil parece ser apelar para as nossas fraquezas, para o “não sei viver sem” e tentar a qualquer preço recuperar o céu que caiu, o chão que se abriu e o amor que se foi. Deixa o amor próprio para depois.

Não ouso afirmar que eu seja um ser humano muito bem resolvido, mas de algumas coisas eu tenho certeza. Todos nós somos capazes de viver sem algo/alguém. Deveríamos, acima de tudo, entender que o beijo precisa começar em nós. Antes de dar amor, a gente precisa se ter, antes de tudo.

Depois que a gente cresce, algumas coisas mudam, outras se repetem em um ciclo infinito, mas é necessário que saibamos lidar com nossas dores e dissabores da mesma forma com a qual nos dispomos a lidar com a do outro. Precisamos, primeiro, não saber viver sem nós, antes de acharmos que pessoas são insuperáveis.

Não caia no erro de achar que felicidade é esse peso todo que você carrega no peito e chama de amor e, por isso, deve correr atrás a qualquer custo. O preço não é tão alto assim.

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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