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POR Bruno Pereira

Para aqueles que se partem

Colunistas / 09.09.16

Cadê você? Ontem à noite eu fiquei te esperando. Aliás, há um bom tempo eu venho te esperando. Todos os dias, eu acho. E todos os dias você não aparece. E todos os dias, ao dormir, eu choro, e, quando acordo, me encho de esperanças novas. E novamente caio e novamente me levanto e novamente erro e novamente quebro e novamente morro com a falta daquilo que não tenho. Mas você não nota o meu morrer, o meu matar-me por você e, ademais, você não notaria, nunca notou e notará o meu amor. Mas todos os dias eu estou ali parado, pés fincados no chão como planta, braços abertos como a saudade, olhos brilhando como a paixão, e o vazio da sua ausência ainda assim persiste. Tantas vezes te chamei. Tantas vezes eu te quis tão perto, que de tão perto estaria quase dentro de mim. Tantas vezes eu tentei te ensinar coisas bobas e importantes. Tantas vezes você nem chegou a me ouvir. Ou se ouviu, não quis saber ou entender. Ou se entendeu, preferiu continuar no mesmo ponto em que estava. Eu não podia e nem posso te esperar. E eu fui. Eu andei, eu subi, eu desci, não sei, mas fui. Porque o importante, aprendi nessa vida toda, é ir. Eu te deixei um dia na esperança de uma saudade tão grande bater que te fizesse correr correr correr e me alcançar. Você não correu e eu orgulhosamente não voltei e nem voltaria. Eu era capaz de mergulhar tão mais fundo que você. Eu queria o oceano inteiro, mas você se satisfazia com uma poça feita pela chuva. O que importa o tamanho do amor se ele não te dá o universo? Eu não posso fazer você me acompanhar, mas não gostaria de ir sem você. E você também não pode me obrigar a ficar na poça que não molha nem meus pés. Parto com uma saudade que dói, não tem cura e só aumenta. Parto com lágrimas e sem voz, numa secura, sem mais falar, gritar ou brigar, sem mais tentar convencer que o caminho não é este, que a vida não é esta, que o mundo é bem maior do que se vê e que tudo isso não terminaria assim nem aqui nem agora se.

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Bruno Pereira é carioca; 26 anos; virgem com ascendente em câncer e lua em libra; assino Bruno P.; beletrista pela UFRJ; pós-graduando em Literatura; professor; ator amador no palco da vida; modelo; penso bastante, falo às vezes, escrevo sempre: escrevedor, menos escritor.

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