Foto Colunista

POR Manoel Veloso

Voa, Passarinho!

Colunistas / 07.09.16

A graça do voo
Tem que ser seguida pela liberdade
De poder pousar
Onde quiser
E quando quiser.
Com essas palavras eu te criei.
Criei pro mundo,
Porque pai que é pai sabe
Sabe bem
Que o filho pode ser dele,
Mas não para ficar sob sua asa.
É criado
Para poder voar,
Voar alto,
E ir onde quiser.
Mas com a certeza de que
O ninho
Tenro ninho
Sempre vai estar lá para aquele conforto único.
E assim te criei.
Em meus ombros apoiado,
Com seu doce sorriso sempre próximo a minha orelha.
Balbuciava as primeiras palavras
Como um canto.
Ininteligível para os outros,
Mas fruto da mais inspirada partitura.
Ópera para meus ouvidos.
Cada palavra era uma conquista
E me preenchia de um orgulho que não sei explicar.
Não sei expressar.
As palavras são insuficientes para expressar o amor de pai.
É tão sublime, tão intenso, tão profundo.
É angustiante não conseguir dizê-lo.
É angustiante não poder fazer com que os outros
Entendam a grandiosidade disso.
Só de pensar os olhos marejam.
É muito para pouco peito.
É um amor que não se consegue guardar cá dentro.
A cada olhar profundo teu, ele se multiplica.
A cada abraço que recebo, sinto como se fossem
Fogos de artifício.
O estômago não aguenta.
Os olhos, coitados,
Vivem mais encharcados que o normal.
Teu nome supera o meu,
Teu choro me interrompe tudo,
Meu mundo, ora meu, não mais me pertence
Se não estiver contigo dentro.
Se não estiver dentro do teu mundo.
Aquela história que tanto ouvi
Que os filhos são pedaços nossos que desprendem,
E crescem,
E se multiplicam
É uma grande farsa.
Os filhos somos nós.
São espelhos capazes de refletir
Somente o nosso melhor.
E de fazer melhoras tão grandes
Que deixamos de nos reconhecer
E nos transmutamos nas realizações deles.
São eles que, agora
Fazem sentido nesse universo
De perguntas,
De dúvidas,
De incertezas.
À partir do momento que te coloquei nos braços
Eu soube
Que o meu papel no mundo
Que o maior dos meus deveres
E a grande tarefa- a famosa missão que nos é dada –
Foi posta sobre mim naquele momento.
É te ver crescer,
É te fazer entender,
É te ver conquistar o mundo.
É, enfim
Poder ver o teu voo.
Voa, Passarinho!
Esse mundo, que um dia foi meu,
Agora é teu.
Assim como eu também sou.
Leva-me em teu peito,
Faz o que eu não fiz.
Alcança os extremos onde não pude ir.
Toma cuidado.
Usa um casaco.
E nunca te esqueças
Nem nunca duvides
Que eu te amo.
Infinitamente.
Incondicionalmente.
E para todo o sempre.

_____________

Manoel Veloso, mas ainda atrás de um plural – são muitas vidas dentro de um só. Dizem ter 22, mas pode ser 32 ou 60. Estudante de Direito da UFRJ, mas gosta mesmo é de Literatura. Sonha em estrelar um “Velozes e Furiosos”. Ousado, mas não o suficiente para declarar-se escritor.

_____________________________________________________________

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

Deixe uma resposta

*

ARQUIVOS

BH NO INSTAGRAM

FOLLOW @BARBARAHELLEN

BH NO FACEBOOK

www.000webhost.com