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POR Bárbara Hellen

As histórias que contamos

Colunistas / 06.09.16

Em nossa vida como sociedade, tantas vezes somos cruéis, alimentamos fofocas e muitas especulações. Basta observar nosso comportamento ao ouvir sobre uma traição em um relacionamento. As histórias aparecem de diversas maneiras, algumas com certo cabimento e outras sem cabimento nenhum. Ele traiu ela, ela está infeliz, ele é um vagabundo, ela é destruidora de lares, os filhos estão em depressão e já procuraram ajuda médica. Tudo especulação.

Inventamos histórias e sentimentos baseados apenas no que vemos do nosso ângulo. Que é um ângulo totalmente diferente do ângulo de quem é protagonista da história. Assim, especulamos. O problema está em afirmar que nossas especulações são verdades, transformar o que achamos em histórias reais que prejudicam mais do que a reputação de alguém, prejudicam a maneira como a pessoa irá trilhar daqui em diante.

Existe uma diferença muito grande em achar que uma pessoa cometeu um crime e ela ter realmente cometido. Existe uma diferença muito grande em achar que viu e realmente ver. Existe uma diferença muito grande entre especulação e realidade.

Entretanto, quando um boato se espalha como verdade, tanto na mídia quanto na vida real, não há qualquer diferenciação entre isso tudo. Se achou que viu, é porque viu. Se achou que é prova, é porque é prova. Se achou que é verdade, é verdade. Se fulano apareceu triste, deve ser porque tá sofrendo pelo ex. Agora se começar a sair então… Vish… Se tiver especulação, deve ter alguma realidade aí.

Cá entre nós: do outro nós sabemos tão pouco. O que sabemos são versões que pouco se parecem com a verdade. E, de uns tempos para cá, comecei a perceber que a verdade é subjetiva. Podemos acompanhar os relacionamentos alheios, dar palpites, ajudar quando necessário, mas jamais saberemos de fato como funciona a química e o amor (ou falta de amor) que há entre aquelas duas pessoas. A terceira pessoa, seja ela quem for, é apenas como um telespectador – que pode ter sua opinião, mas que jamais fará parte da realidade completa, sem brechas. Essa realidade, única, fica somente para quem vive a história. Já eu e você… Nós temos histórias completamente diferentes a contar – ainda bem!

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portal tvguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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