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POR Bruno Pereira

Para o que não se pode nomear

Colunistas / 27.07.16

Para ler ao som de Caetano Veloso

… refiro-me à noite, à noite que se faz, à sua noite, à noite que me faz, que te faz, à noite que nos fazemos, que somos feitos, desfeitos, desformes, desnudos, inermes lowest price levitra. Refiro-me a mais, há mais, ao silêncio ensurdecedor, capaz de dizer o impronunciado, detentor do poder de nomear o que não tem nome, (des)norteador do sentir, elo entre os quereres. Mais, refiro-me quando esquece teus vultuosos olhos em cima de mim, olhos que também são sensíveis e, por vezes, enigmáticos, esfíngicos, secretos; olhos que prendem, mas, estranha e contrariamente, libertam; olhos que permitem um voo por outros e novos ares sem sair daquele fixo cenário; olhos que cobiçam, prezam, pedem, têm, sentem, azulem, desquerem. Além, refiro-me à corporificação do olhar: toque; concussão dos corpos acontecendo; deslizar das mãos grandes e quentes por toda a compleição física; carne, matéria, substância; corpos como esculturas moldadas em carrara ou desenhos criados com modelos vivos. Mais ainda, refiro-me às linhas tortas e às entrelinhas profundas dos versos seus; estas, muitas vezes dotadas do mais alto grau de lirismo, do amor impregnado, da patológica paixão – pathos , da sonhada liberdade do corpo e, sobretudo, da alma; essas, suas, agora são as responsáveis, como resposta, destas linhas (des)sentidas, que – não – têm sentimento e nem fazem sentido, que versejo. Na incessante busca pelo sentido e, posteriormente, pela significação, é que escrevo. Mas teço, sobretudo, pelo interesse, aquilo que entra no ser; se o ser te mostra algo, ele se torna ente. Outra vez mais, refiro-me, agora, ao desconcerto causado pela possibilidade de sentir; acabam as palavras foge a intelecção falta o ar embaça a visão abala o corpo desfalece os sentidos. Não, você não sabe, você não sabe de todas as vezes que eu quis enunciar palavras bobas e belas, ser piegas ao mais derradeiro grau; deitar-te em algum lugar e dizer que está tudo bem, que eu te cuido, que eu te protejo, que; você não entende que o meu silêncio é o teu respeito; que a minha ocultação é a tua liberdade; que a tua ausência é a presentificação de uma saudade; Espero-te a cada anoitecer – Lua em bailado com as estrelas -, e pela manhã – sol alaranjado dominando o horizonte -, vejo que não apareceu; Não, não me entenda mal, mas não me entenda bem. É difícil escrever. É difícil dar nome à loucura, ao desvario, à insânia, à ilusão, à fantasia, à quimera, ou simplesmente ao anseio; e na tentativa de indicar, nomeio. Então digo, eu posso dizer, eu posso querer dizer, eu posso querer dizer e ter alguém para escutar o dito, eu posso querer dizer e ter alguém para escutar o dito e digo: não tenho nada a dizer. Dizer é o ato mais simplório que existe. Verdadeiramente, o gostar é demonstrado pelo mimo, pelo que se faz.  Amo pelo que faço. Amo geralmente o que faço. Mas odeio o que (te) escrevo. Ao fundo, canta Caetano Veloso “te espero, meu bem, pra gente se amar de novo”. Ah, acima e além disso, e novamente e de novo e outra vez e mormente, refiro-me às entrelinhas dos preditos…

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Bruno Pereira é carioca; 26 anos; virgem com ascendente em câncer e lua em libra; assino Bruno P.; beletrista pela UFRJ; pós-graduando em Literatura; professor; ator amador no palco da vida; modelo; penso bastante, falo às vezes, escrevo sempre: escrevedor, menos escritor.

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