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POR Bruno Pereira

Para a vida que não sei viver

Colunistas / 13.07.16

Lá fora, um dia com céu tão azul, que olhando para o horizonte parece se misturar com o azul do mar. Mas aqui, nada. Peguei uma xícara de café, acendi meu cigarro e fiquei parado naquela poltrona de couro velha no canto mais escuro da sala, perto da estante de livros, dos discos, da vitrola, e tão longe da vida. Pela janela, do outro lado da rua, bem fora de mim, era possível avistar alguma movimentação agitada dos domingos. Todas aquelas pessoas sendo felizes, procurando um lugar ao sol para alimentar o envelhecimento precoce, carros tentando estacionar, ambulantes por toda parte procurando ganhar aquilo que nossos administradores públicos facilmente roubam. E eu só tentando entender a minha existência: trinta e alguns anos, nenhuma resposta, várias perguntas, uma vida inteirinha vivendo para dentro, tentei amar, não amaram, tentei ser de todos, só não era meu, tentei descer e ir à praia, mas odeio areia, tentei parar de fumar, mas era a única coisa que podia ter nas mãos, tentei fazer análise, mas não tenho paciência para escutar alguém falando falando falando, eu não entendendo entendendo entendendo, tentei não ser sozinho, mas o vizinho nunca estava em casa, tentei andar por lugares desconhecidos, mas nenhum deles me fascinava sem sua presença, tentei me amar mais, mas eu tinha dado tudo para você: você me suga até a última energia vital e depois vai embora. Eu me reconstituo, fico forte, você volta, eu aceito, você me suga, eu me enfraqueço, você vai embora… Estou morrendo aos poucos e você não nota: eu estava profundamente infeliz dentro da minha felicidade.

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Bruno Pereira é carioca; 26 anos; virgem com ascendente em câncer e lua em libra; assino Bruno P.; beletrista pela UFRJ; pós-graduando em Literatura; professor; ator amador no palco da vida; modelo; penso bastante, falo às vezes, escrevo sempre: escrevedor, menos escritor.

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