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POR Danielle Ribeiro

As pequenas conquistas da vida

Colunas / 04.07.16

Você tem vinte e tantos anos, se formou, tem um emprego estável, têm amigos, um namorado, seus pais se dão bem. Essa poderia ser a definição de uma boa vida para alguns. Mas você é diferente, porque fizeram você pensar isso a vida toda, portanto, você tem objetivos maiores. Você não quer um trabalho de 8 às 18hrs, você quer mudar as regras do jogo, salvar o planeta, criar leis que assegurem os direitos das mulheres, quer dar aula na USP, viajar o mundo, ganhar o Nobel de Literatura, encontrar paz interior. E por ainda não ter conseguido isso se menospreza dia após dia.

O problema de colocar tanta pressão em si mesmo, é que se perde o prazer das pequenas conquistas durante a jornada por estar muito concentrado no destino final. Foco é necessário, sem dúvida. Mas se apaixonar pelo caminho é o segredo para não deixar a peteca cair depois de um dia difícil. É a ansiedade por um futuro que parece nunca chegar. Porém, mais importante que a concretização desse futuro, é saber reconhecer a importância de cada passo dado no presente.

Pra piorar o fator ansiedade, somos cercados por redes sociais que mostram como a grama do vizinho é tão mais verde que a nossa: festivais que queríamos ter ido, a promoção que ainda estamos batalhando, o mestrado concluído com glórias, o carinha que virou um empreendedor nato do dia pra noite, os quilos que você queria tanto ter perdido e o que falar sobre as viagens? Como esse povo arranja tanto tempo pra viajar? Tá tudo lá, estampado na nossa cara, e nada é nosso e pensamos o quanto o mundo é injusto com a gente. A verdade é que a vida não para pra ninguém, mas fazer bom uso das oportunidades que aparecem é escolha de cada um e a grama do vizinho só é mais verde porque o seu fardo não nos pesa.

O presente é a única coisa que temos e é onde nossos sonhos são construídos com suor, empenho, cansaço e alegrias. Bem sei, que ter os pés calejados, torna a nossa expectativa quase insuportável. Mas tenta experimentar não só olhar pra frente, e sim fechar os olhos e lembrar de onde você saiu e o lado bom de tudo que aconteceu, mesmo as coisas ruins, pois tudo esconde o seu motivo. Porque talvez, a cadeira que você morreu de ódio de ter reprovado tenha te ensinado a ter persistência; as broncas do chefe, a escutar sem revidar e abrir mão da festa com os amigos deve ter lhe mostrado o valor de um sonho. O futuro não acontecer na velocidade com que esperamos não significa que ele não esteja se encaminhando, e acredite, aqueles construídos tijolo por tijolo costumam ser os mais sólidos.

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Danielle Ribeiro é administradora que, atualmente, trabalha em uma cervejaria. Acredita no destino, se apega a tudo que traz leveza e encontra conforto em forma de prosa ou poesia no final do dia.

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