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POR Bárbara Hellen

Mãos no volante

Colunistas / 30.06.16

Não tem jeito, para que você possa se descobrir, se conhecer, você tem que aceitar todos os tipos de desafios. Seja uma corrida um pouco maior do que aquela quilometragem que você tá acostumado, um desvio na sua rotina de trabalho para cumprir um trabalho que não é seu, arrumar as malas e simplesmente ir ou até aceitar um tipo de relacionamento longe do que você idealizou. Assumir desafios é assumir riscos. Riscos de errar, de sofrer. Risco de quebrar os planos já pensados antes e ter que encarar o desconhecido. Tirar, de uma vez por todas, as mãos do volante.

O ano começou com um grande desafio para mim. Perdemos o pilar da nossa família, que era o meu avô. A partir dali, foi preciso se reinventar e aceitar desafios que nem sabíamos que estávamos preparados. Aceitar que tem coisas que não podemos controlar e morte é apenas um exemplo disso. Aprendi a não querer controlar o incontrolável – logo eu que sempre fui cheia de planos e metas.

E aí que as surpresas começaram a acontecer.  Foi ao encarar que superar o luto seria um desafio, que descobri de verdade quem eu era e, mais que isso, quem eu gostaria de ser. E parece estranho, mas quanto mais você aceita desafios, mais eles aparecerem e menos eles parecem assustadores.

De lá para cá, tive oportunidade de sair para rua como repórter em algumas vezes – um lado ainda não tão explorado da minha pequena carreira – e apresentar dois jornais – coisa que eu nunca tinha feito antes. No primeiro jornal apresentado, nem soube como consegui ficar em pé e tive que segurar a minha mão para que o telespectador não pudesse ver a tremedeira. No segundo, gaguejei tanto que possivelmente não deu para entender muito do que foi apresentado no jornal. Na verdade, ainda não tive nem coragem de rever. Mas no fim, marquei o check-in e fiz. Sabe-se lá porque, mas fiz.

Tirar as mãos do volante é apavorante. Mas é com frio na barriga que vivemos os momentos mais incríveis da nossa vida. E sem nenhuma dúvida que essas oportunidades só aparecem quando estamos dispostos a aceitar que não controlamos quase nada das nossas vidas e que temos que nos desafiar sempre. Diariamente. “Quando a estrada fica interrompida, o desvio pode ser interessante”, disse Martha Medeiros. E eu replico: aceitar os desafios é a maneira de transformar um desvio em um novo caminho.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portal tvguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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