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POR Bárbara Hellen

Você está em uma relação abusiva?

Colunistas / 17.02.16

Tapas, beijos, ódio, desejo… É letra de sertanejo, mas também a realidade vivida por milhares de mulheres. Segundo informações do último Mapa da Violência, por dia, 13 mulheres morrem vítimas da violência. Essa realidade não é recente, mas é recente toda a mobilização contra os gritos que viram tapas, que viram socos, que viram facadas. E depois viram beijos e um mar de flores. Assim chego ao assunto de hoje: como saber se você está em uma relação abusiva?

Sempre afirmei que antes da violência física, há a violência contra a moral da mulher. São os assédios e humilhações. Essa violência moral é a base que sustenta um relacionamento tóxico. Afinal, sem autoestima, a mulher não consegue se desvincular de um relacionamento ruim e muito menos consegue perceber os abusos grotescos cometidos pelo parceiro.

Relacionamento tóxico não é só aquele onde o homem dá um tapa na mulher e depois promete melhorar. Um relacionamento tóxico é bem mais complexo que isso.

Apesar de nunca ter vivido essa situação, já vi relacionamentos que me assustam. São aqueles onde a balança pesa só para um lado, deixando essa pessoa (que pode ser o homem, mas geralmente é a mulher) totalmente vulnerável e dependente.

Onde há amor, há cuidado. Quando há abuso, não há cuidado. Já vi relacionamentos onde o homem comete erros, passível de qualquer ser humano, mas consegue que a mulher se sinta culpada pelo erro cometido por ele. Oi? Como não classificar esse relacionamento como abusivo? O homem, esperto todo, consegue afastar a mulher das amigas e até da família. Quando a mulher percebe, está contra tudo e contra todos por um relacionamento para lá de questionável.

Concordo que devemos sim tentar fazer o relacionamento funcionar quando há amor de ambos os lados, quando há tentativas de ambos os lados, quando há comprometimento de ambos os lados. Se a balança está pesando para o seu lado, alguma coisa está errada e é bom analisar com frieza o que é.

Não é preciso estar no extremo para ser vítima de abuso. Quando há ameaças (“Se você terminar comigo, vou aproveitar minha vida da maneira como eu acho melhor”), controle (“não seria melhor ir pelada do que com essa saia curta?”), contato físico em momento de brigas (aquele velho puxão pelo braço porque ele estava bêbado), chantagem emocional para que você concordasse em fazer sexo com ele, apelidos pejorativos (adeus a sua autoestima), segredos (aquele xingamento que ele te falou e você não comentou com ninguém) ou manipulação (“essas tuas amigas estão é com inveja do nosso relacionamento”), o relacionamento é abusivo.

Tenho um leve pesar de tristeza por não saber como, de fato, ajudar as vítimas de relacionamentos abusivos. Li uma notícia que contava que alguns homens estavam organizando um evento que iria abusar de mulheres – algo assim. Vendo esse absurdo, um grupo de lutadoras se reuniu e confirmou presença, e isso fez com que o evento fosse cancelado. Outra notícia interessante foi o caso do bar Quintadinha, que supostamente teria sido conivente com um caso de abuso. A repercussão foi tão negativa que o bar ficou fechado durante todo o carnaval.

Esses casos mostram que quando há uma força feminina, que não aceita abusos e relações abusivas, há uma mudança na realidade. E talvez seja isso a maneira de ajudar: não seja conivente com relações abusivas, não aceite, fale mesmo que tá errado. Só assim vamos eliminar todos os trastes que faltam em caráter e sobram em grosseria.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portal tvguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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