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POR Vitória Colvara

Bebeu água? Nããão! Tá com sede? Tôô!

Colunistas / 15.02.16

Mais uma segunda sem carne e, para alguns, a primeira segunda-feira do ano. Depois de muita folia pra quem é do carnaval, muito romance pra quem é da lua de mel, muitos estudos pra quem é dos concursos e muita oração pra galera que foi pro retiro. E nesse calor terrível, nesse mormaço insuportável, vamos conversar sobre um tema deveras refrescante: Á G U A.

Não, eu não vou precisar fazer uma pequena apresentação sobre a água, esse recurso tão especial, tão transparente, tão verdadeiro e essencial em nossas vidas. Com certeza, na escola, vocês já cantaram aquela musiquinha: “Terra, Planeta ááágua” e a tia de artes já pediu pra vocês pintarem o nosso mundo numa bola de isopor e repararem como ele é composto predominantemente por água, ou então aquela aula de ciências em que descobrimos que o corpo humano é composto em sua maior parte por água.

Engrossando um pouco o caldo acerca da importância desse recurso, o presidente da UNWATER fez um pronunciamento afirmando que já existe um consenso internacional de que água e saneamento são essenciais para que muitos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sejam atingidos. Eu sou o tipo de pessoa que vai emendando um assunto no outro e quando vejo já falei por horas ou escrevi mil páginas, e com o intuito de evitar que isso aconteça, vamos focar na água, ok? Saneamento fica pra próxima!

É preciso preservar, galera. E preservar água não significa apenas fechar a torneira ao escovar os dentes, passar menos tempo no banho, desperdiçar menos ao lavar a louça ou não contaminar os mananciais. A proteção e a preservação da água vão muito além do que os nossos olhinhos conseguem ver e nossas mãozinhas conseguem tocar.

Hoje em dia, na era da tecnologia, na qual as conversas são por WhatsApp, as paqueras são via Tinder, as fotos pelo Instagram, os vídeos divertidos pelo Snapchat e os filmes pelo Netflix, nada mais sensato do que definir como virtual a água que consumimos sem perceber. O conceito de água virtual foi criado em 1990 pelo cientista inglês John Anthony Allan que se dedicou a demonstrar o volume de água utilizado ao longo dos processos de produção dos nossos bens de consumo, considerando nesse cálculo a quantidade desse recurso que se evaporou ou que ficou poluída e imprópria para uso.

Para exemplificar esse conceito, vamos tentar calcular a água virtual que consumimos em alguns produtos básicos. Claro que o cálculo não vai ser exato, primeiro porque não foi sem razão que eu escolhi ser de ~ h u m a n a s ~, segundo porque até mesmo os experts no assunto afirmam que é um calculo que leva em consideração inúmeras variáveis e que sofre mudanças entre uma região e outra, entre um modo de produção e outro.

Ao calcular quanta água é consumida em um almoço num rodízio de carne, por exemplo, temos que levar em conta a pegada animal. Ou seja, a quantidade de água utilizada na sua alimentação, nos seus cuidados e até mesmo no momento do seu abate. Conforme já mencionado em outro texto meu publicado aqui no site, estima-se que para cada quilo de carne de boi, são gastos 15.000 litros de água, isso mesmo, QUINZE MIL minha gente. Dá pra encher uma piscina! E o legal da piscina é que todo mundo se diverte de biquíni e não de calça jeans. Anh? Por que eu to falando isso? Porque uma calça jeans para ser produzida consome em média 11.000 litros de água. ONZE MIL minha gente, que mesmo sendo muito ainda é menos do que um bife e dura uma vida inteira, e quando você cansa daquela calça pode doar para alguém que quando cansa pode transformar em bermuda, em short, em saia, em bolsa ou em qualquer acessório jeans meio brega.

E ao final desse período carnavalesco super mágico, a ecochata ambientalista aqui vai fazer você saber que para cada litro de cerveja bebido, você consumiu 300 litros de água virtual, então. Isso sem conta aqueles que você desperdiçou deixando a cerveja esquentar no copo. Evite o desperdício!!

A temática da água virtual é extensa e bastante complexa, entre uma piada e outra, eu espero ter despertado em vocês a curiosidade para pesquisar sobre o assunto. O Brasil é o décimo exportador mundial de “água virtual” inserido em um comércio que movimenta cerca de 1,2 trilhão desse recurso de forma imperceptível por já estar inserido nas mercadorias e bens de consumo. Sim, sim. O mesmo Brasil que conseguiu atingir o nível morto do sistema Cantareira, o mesmo Brasil que tem rios de água doce totalmente poluídos, o mesmo Brasil que ainda não conseguiu resolver o problema do rompimento das barragens da Samarco e já tem novas barragens rompidas é o Brasil que EXPORTA água potável de forma virtual.

E assim, após a grande festa carnavalesca que levou milhões de foliões às ruas comemorando a grande crise econômica que estamos vivenciando, é que seguimos nesse paradoxo sem fim que é ser brasileiro. Enquanto mais de 40 milhões de pessoas no nosso país não têm acesso à água tratada, nós continuamos sendo campeões de exportação agropecuária sob o pretexto de que é isso que move a economia. Vamos refletir, vamos questionar, vamos criticar! Quem é levado a favor da corrente é peixe morto.

Quer saber mais sobre água virtual? Acesse esse site inglês ou esse brasileiro aqui.

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Vitoria Colvara tem 24 anos muito bem vividos. Apaixonada por viagens, crianças e livros. Advogada, professora de espanhol e kitesurfista, não necessariamente nessa ordem. Ambientalista de corpo, alma e coração.

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Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

 

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