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POR Vitória Colvara

E se o termômetro aumentar 2 graus Celsius?

Colunistas / 02.02.16

Entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro do ano passado, depois de pelo menos 4 anos de planejamento, rolou em Paris a Vigésima Primeira Conferência das Partes (COP 21) com o propósito de discutir, em âmbito internacional, questões relacionadas ao meio ambiente, sustentabilidade, gases poluentes e mudanças climáticas.

Não obstante a todos os esforços desprendidos para a realização dessa Conferência Mundial do Clima, hoje, depois de ler o acordo firmado entre os 195 países membros da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, mitigando assim o aquecimento global, o sentimento que me veio foi de frustração.

Sim, eu esperava mais, bem mais. Claro que alguns pontos merecem destaque, um deles é que pela primeira vez em um evento internacional dessa magnitude, todos os países concordaram com o que os cientistas já vêm gritando há algum tempo: não podemos permitir que a temperatura do Planeta Terra aumente 2º Celsius em relação a era pré-industrial.

Mas, sinceramente, comemorar essa conquista é como comemorar quando sua melhor amiga depois de 5 anos de namoro sendo feita de idiota finalmente se toca que o cara não é tão legal quanto ela pensava. Ok, ok, antes tarde do que nunca. Mas pra quem realmente se preocupa com o meio ambiente, o desespero é um pouquinho maior e a pressa também.

Nesses eventos internacionais em prol do meio ambiente, cada País pensa em seus próprios interesses e não se chega a nenhum consenso quanto ao clima, quanto aos compromissos, quando à transferência de tecnologia e aprendizado para os países carentes, quanto à solidariedade intergeracional. Eu acredito que o X da questão (quem lembrou da Xuxa bate aqui \o) é que ainda não pensamos no Planeta Terra como um todo, como nossa casa comum.

E parando para pensar a respeito dessa solidariedade, chego à conclusão de que nós sequer nos preocupamos com a geração presente, que sofre todos os dias os efeitos de danos para os quais eles em nada contribuíram, sequer nos preocupamos com os refugiados ambientais. Então talvez realmente seria exigir muito dessa sociedade doente que se preocupasse com uma geração que ainda está por vir.

Mas se por um lado as autoridades não fizeram seu dever de casa, por outro a sociedade civil se mostrou bastante organizada. Ao longo da Conferência surgiram vários espaços de discussão, de troca de ideias, experiências e materiais. Noto, que cada vez mais, os jovens anseiam por soluções mais rápidas aos problemas que são tão emergentes e, um tanto quanto descrentes das instituições políticas, começam a colocar a mão na massa e a se fazer ouvir. Isso sim é lindo de se ver.

É importante considerar que em termos jurídicos a legislação de cada País carrega consigo aspectos diferenciados, o que torna extremamente complexo o estudo do Meio Ambiente uma vez que diferentemente das leis humanas, as leis que regem a natureza e os ecossistemas são universais e não obedecem a limites geográficos ou sociais. Por esse motivo, todo e qualquer acordo internacional deve ter um fundamento principio lógico que torne possível o diálogo entre as diferentes nações.

No direito ambiental todas as relações estão interligadas – ou pelo menos deveriam estar -, não há que se falar em limites de fronteira ou de tempo. Os danos ambientais são, por sua própria natureza, transfronteiriços, atemporais e algumas vezes imprevisíveis, motivo pelo qual se revela de extrema importância a existência do in dubio pro nature princípio segundo o qual nos casos em que não for possível uma interpretação unívoca, a escolha deve recair sobre a interpretação mais favorável à natureza.

Infelizmente, não é nesse sentido que temos caminhado. Investir em energia limpa e renovável e se depreender cada vez mais da necessidade de utilizar combustíveis fósseis foram duas metas pré-estabelecidas para essa Conferência Mundial do Clima. Embora todos concordem que estamos em um momento de transição, embora a maioria das nações já esteja convencida de que a era dos combustíveis fósseis deve se acabar e dar lugar para as energias renováveis, ainda falta vontade política e coragem de mudar.

Eu sei o quanto é chato quando você tem plena consciência de suas atitudes e sabe que faz de tudo para reduzir a degradação ambiental, mas que mesmo todo o seu esforço, se analisado em uma escala global, significa muito pouco. Sei, mais do que ninguém, como é a sensação de ser ridicularizado por defender o fim dos combustíveis fósseis ou por tentar de parar de comer carne. Mas, independente de tudo isso, eu sei o quanto é delicioso deitar a cabeça no travesseiro e saber que pelo menos o mínimo você está fazendo, ou tentando fazer.

Então, mais uma vez, outro apelo: façamos a nossa parte, façamos barulho, nos façamos presentes em discussões desse porte. As futuras gerações são os nossos filhos, nosso sobrinhos, nossos irmãos caçulas. Vamos mostrar pra eles que ainda vale a pena lutar por um mundo melhor, embora a maioria das pessoas que habita nosso planeta ainda insista em nos provar o contrário.

Afinal de contas, existe uma diferença muito grande entre uma febrezinha de 37 graus e uma de 39 que chega a dar calafrios…

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Vitoria Colvara tem 24 anos muito bem vividos. Apaixonada por viagens, crianças e livros. Advogada, professora de espanhol e kitesurfista, não necessariamente nessa ordem. Ambientalista de corpo, alma e coração.

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