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POR Vitória Colvara

E então é Natal, e o que você fez?

Colunistas / 24.12.15

Há quase um mês atrás, exatos 26 de novembro, a Bárbara me convidou para participar desse site maravilhoso tendo uma coluna semanal. Eu topei na hora, e eis aqui, o texto abre alas da coluna “bons ventos”. Não poderia vir em momento mais oportuno. Natal, tempo de celebrar, de reunir a família, de rever os parentes e os amigos que moram longe, de curtir uma praia, de ir a várias confraternizações e é claro: de COMPRAR, COMPRAR E COMPRAR.

Não meus queridos, não se preocupem que esse não é um daqueles textos com opiniões tão extremas. Eu não vou falar mal do Papai Noel, figura clássica do capitalismo, embora ele mereça suas críticas. E nem vou dizer para que vocês cheguem à noite natalina e não ponham um presentinho sequer debaixo da árvore. Eu adoro receber presentes e adoro presentear as pessoas. A questão não é meramente parar de comprar, e sim passar a ter consciência dos nossos atos, devemos pensar nas consequências de tudo o que fazemos e quando se trata de consumo, o reflexo não é só no nosso bolso, mas, principalmente, no nosso Planeta.

Assim que comecei a estudar Direito Ambiental, ouvia muito as pessoas falarem a respeito dos 3 “erres” da sustentabilidade, que são: reduzir, reutilizar e reciclar. Até que um belo dia, para minha adorável surpresa, quando fui corrigir a prova de um dos meus alunos na qual a questão era justamente para eles discorrerem, em espanhol, sobre o assunto, apareceu um “R” a mais. Uma das minhas alunas despertou a minha curiosidade ao discorrer sobre a possibilidade de “repensar”. A partir daí comecei a pesquisar o assunto e percebi que o rol de erres havia crescido. Agora são cinco, na seguinte ordem:

Repensar: sugere que antes de fazer qualquer tipo de compra a gente pense na verdadeira necessidade de tal aquisição. Será que eu realmente preciso disso? Será que esse presente que estou comprando vai ser útil pra quem está ganhando? Hoje em dia, os incentivos de consumo são muitos. De um lado as tão sonhadas promoções progressivas nas quais quanto mais você compra maior o desconto, de outro as propagandas todas muito bem elaboradas que te convencem que você realmente precisa daquilo.

É difícil resistir, mas é necessário. Se fizermos realmente o exercício de pensar duas vezes antes de comprar algo, com certeza chegaremos à conclusão de que algumas vezes agimos por mero impulso.

Recusar: isso mesmo que você está lendo. Recusar, rejeitar, dizer que não precisa de mais uma sacola plástica para colocar aquela barra de chocolate que você comprou e já vai comer. Recusar produtos de empresas que você já tem conhecimento de que não possuem nenhum tipo de compromisso com o meio ambiente. Dizer não àqueles produtos que para chegarem às suas mãos, causaram muito sofrimento, seja em animais, como é o caso de muitas maquiagens que são testadas nos bichinhos, seja em pessoas, que muitas vezes trabalham em condições análogas à escravidão para aumentar a produtividade nas empresas. E para te ajudar nessa difícil e seletiva tarefa, já existem inclusive aplicativos. Outra dica legal é carregar uma daquelas ecobags quando for sair por aí. Dá pra recusar a segunda via do seu comprovante de pagamento, afinal de contas, você provavelmente já recebe a mensagem do banco no seu celular. Dá pra recusar a sua via impressa quando for ter vistas de um processo, caso trabalhe com Direito. Em vez de pedir para que imprimam algo para que você leia, da pra pedir que encaminhem para você por email ou por mensagem. Tudo que você precisa é treinar uma frase que se encaixa em muitas situações: “obrigada, mas não precisa”.

Reduzir: a ideia de reduzir não implica somente em consumir menos, mas também consumir com consciência. O ideal é pensar em adquirir produtos que tenham durabilidade, algo que você sabe que não será preciso trocar por um novo com frequência. A partir do momento que a gente reduz nosso consumo, estamos também reduzindo nosso lixo. Partimos de atitudes simples até chegar às mais complexas. Oferecer ou pegar carona, também é uma forma de reduzir os danos que causamos diariamente ao meio ambiente. Devemos tentar ao máximo reduzir a nossa pegada ecológica, que é justamente uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo dos seres humanos sobre os recursos naturais.

Reutilizar: pense duas vezes antes de jogar algo fora. Até porque, do ponto de vista do Planeta Terra, não existe fora. Se algo deixou de ter utilidade para você, pense que talvez ainda tenha utilidade para outra pessoa. Se aquele seu vestido ficou um pouco apertado, talvez seja possível transformá-lo em uma blusa e continuar arrasando por aí. Prefira consertar seus eletrodomésticos ao invés de simplesmente comprar produtos novos. E se você é o tipo de pessoa que nasceu com dons artísticos, use e abuse da criatividade para reutilizar os insumos. Sempre que penso em reutilização, penso nas crianças… Incentivar as crianças a reutilizarem embalagens, brinquedos, roupas velhas e etc, além de contribuir com o desenvolvimento pessoal delas, com o aperfeiçoamento da imaginação, faz com que elas sintam que estão contribuindo com a proteção do meio ambiente, além de dar a elas a certeza de terem um brinquedo completamente autêntico e personalizado.

Reciclar: esse vem por último e não por acaso. É que a reciclagem que deveria ser encarada como uma verdadeira obrigação aparece justamente quando você já comprou o produto, já não encontrou uma forma de reutilizá-lo e vai, inevitavelmente, jogá-lo fora. Pois bem, é nesse momento que temos que ter uma preocupação ainda maior. Mais do que simplesmente juntar tudo e jogar fora e deixar o catador de lixo pegar, nós temos que no mínimo separar o nosso lixo. Nem que seja a separação simplória entre seco e molhado que já facilita o trabalho dos catadores que vivem nos nossos lixões da vida. A reciclagem além de contribuir para a redução da poluição, também prolonga a vida útil dos aterros sanitários… Aterros esses que, bom, se eu for começar a falar do grande problema que temos com aterros sanitários e lixões, não paro hoje. Deixa esse assunto pra próxima.

Por fim, termino esse texto pedindo para que cada um dos leitores repense em atitudes cotidianas, principalmente nesse período natalino de tantos encontros, de tantos abraços, de tantos presentes. Faça-se presente na vida das pessoas que te cercam, e além de todas aquelas belíssimas mensagens natalinas, repasse também um sentimento coletivo de preocupação com o meio ambiente, com a nossa casa comum, com o nosso querido planeta que continua sendo o único que tem panetone de chocolate.

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Vitoria Colvara tem 24 anos muito bem vividos. Apaixonada por viagens, crianças e livros. Advogada, professora de espanhol e kitesurfista, não necessariamente nessa ordem. Ambientalista de corpo, alma e coração.

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