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POR Bárbara Hellen

Ninguém é obrigado a ser recíproco

Colunistas / 22.12.15

— Existia amor, mas faltava reciprocidade entende?

— Então faltava tudo!

Para vocês, reciprocidade é tudo em um relacionamento? Em semana de Natal, lembro-me das trocas que Jesus fez ao longo da sua vida terrena. O quanto Ele foi capaz de amar incondicionalmente ainda quando não havia reciprocidade. E eu aqui, tão humana e imperfeita, comecei a perceber que talvez eu não fosse capaz desse tipo de amor. Que talvez eu não consiga manter perto quem age com ingratidão. Seria isso um erro meu? Ou a reciprocidade é sim um dos pilares de qualquer tipo de relacionamento?

Como todos, já fui vítima da falta de reciprocidade. Já precisei de “amizades” e elas não tiveram disponibilidade, nem com palavras que pudessem ajudar ou apenas com aquela presença que acalma. Entretanto, em vários momentos de dificuldades da vida daquela pessoa, fui presente. E aí comecei a me questionar se dá para ser amigo quando não há troca. Se dá para se entregar por inteiro a um relacionamento quando o outro está pela metade. Se dá para ser uma grande amiga quando o outro age como um distante desconhecido.

A cada escolha pessoal que fazemos também escolhemos os tipos de relacionamento que iremos construir ao longo da nossa vida. E apesar dos nossos desejos, sabe qual é a verdade? Ninguém é obrigado a nada. Ninguém é obrigado a te amar, te ajudar, te acalmar, a estar presente, a se importar.

Em nossa vida nem sempre vamos encontrar pessoas que correspondam as nossas expectativas. Na verdade, a maioria das pessoas não irão nos tratar da maneira como achamos que merecemos. E tudo bem, isso não tem problema, pois essas pessoas provavelmente não vão permanecer na sua vida. Elas vão passar. Outros relacionamentos sem permutas irão chegar, e eles também passarão.

Quem ficará na sua vida são as pessoas que te tratarão melhor do que você merece. Terão paciência e serão tolerantes com seus defeitos e manias. Irão te ajudar a melhorar, sempre, com conselhos sinceros e leves. E irão ser sinceros até quando estiverem sem paciência para te ajudar por ter seus próprios problemas para lidar naquele momento. Ou te darão aquele grito “larga de frescura” que te farão acordar para a vida. E até esquecerão seus próprios problemas para dar espaço para você superar seus medos e receios. Em um mundo com diversas formas de amar, certas ou não, quem ficar na sua vida é quem é capaz de retribuir o amor da maneira como você ama.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha como editora-chefe do site BH e coordenadora de conteúdo do portal tvguara.com. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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