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POR Bárbara Hellen

Não abaixe a cabeça 

Colunistas / 15.12.15

A vida nos coloca em situações que nem sempre queremos estar. Todo mundo vive isso. Seja uma doença de um parente, uma inimizade que você não queria ter criado ou um término mal resolvido, muitas vezes as situações fogem do nosso controle e causam muito mal estar. Tanto mal estar que dá uma vontade danada de abaixar a cabeça nessas situações. Como se o ato de abaixar a cabeça pudesse fazer com que aquela situação deixasse de existir.

 

É simbólico, mas diz muito sobre nós. Um dia desses eu passei por isso. Estava andando e cruzei com uma pessoa que, por diversos motivos, apenas não queria ter que lidar naquele momento. Automaticamente (e mal educadamente também, eu sei) eu abaixei a cabeça. E depois me vi pensando sobre isso.

 

Será se abaixar a cabeça não diz muito sobre como encaramos os nossos problemas? Será que em outras situações, mais sérias e nas quais eu deveria ter me posicionado, eu também não simplesmente abaixei a cabeça? Será que na minha vida eu não tenho ignorado tudo que me faz mal no lugar de enfrentar essas situações tão firmemente quanto os meus posicionamentos sobre a situação atual do país?

 

Eu sei que perder, por exemplo, não é fácil.. E sejamos sinceros: causa frustração, arrependimento, raiva e muitas vezes até vergonha. Muito mais fácil então é abaixar a cabeça. Fingir, como se nossa vida fosse um livro feito a lápis, que aquele episódio não aconteceu. Concentramos nosso olhar no chão, assim não teremos que ver o que a vida e as situações nos mostram. Pelo simples fato de que enxergar dói demais, às vezes.

 

E ai que a vida me mostrou que eventualmente, por mais que o aperto no coração tire todo nosso ânimo, temos que levantar a cabeça e encarar olho a olho todos os desafios. Enxergar cansa, mas cura. E não tão tarde, cruzei com a pessoa de novo. Dessa vez, não abaixei a cabeça. Morta de vergonha e um pouco frustrada, não restou outra opção senão sorrir e encarar.

 

Não que isso seja fácil. Não é. Mas há algo de especial quando você abre os olhos para enxergar que, mesmo diante de uma situação que não se desenrolou da maneira como você planejada, você foi capaz de sorrir e seguir em frente.

 

Naquele dia, dramática/pensativa que sou, criei meu lema: não importa quantas vezes a vida me jogue ao chão e nem qual seja o problema, o importante é sempre, mesmo com vergonha/raiva/dor, manter cabeça bem erguida.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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Uma resposta para “Não abaixe a cabeça ”

  1. Exatamente!!! Nenhum peso há de ser tal grande que me faça curvar ou não encará-lo!

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