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POR Andressa Valadares

Somos poeira perto do universo

Colunistas / 30.10.15

(Trilha sonora: Space Oddity – David Bowie)

Vez ou outra, gosto de vasculhar a página da NASA no Flickr e ficar observando essa imensidão inalcançável que é o universo. E foi em uma dessas vasculhadas que comecei a questionar como e por qual razão alguns meros terráqueos gastam preciosos momentos da vida se achando os ‘reis da cocada preta’, quando, na verdade, são apenas um grão de poeira perto de um universo tão infinito.

Não quero parecer indelicada ou tampouco arrogante, mas o nosso grau de importância no mundo, analisando o todo, é irrisório. Quando tomamos consciência de que a vida segue, apesar de nós, nos livramos de um sofrimento emocional que pode chegar a pesar toneladas. Mesmo que, inicialmente, o egocêntrico não perceba isso.

É claro que, dentro do nosso ciclo social, todos nós temos a nossa devida importância e fazemos alguma diferença. O problema não está, por assim dizer, no ‘nosso mundinho’. O problema começa quando algumas pessoas tendem a achar que o ‘seu mundinho’ é que deve estar no centro das coisas.

A pessoa egocêntrica sempre acha que o mundo gira em torno de si. Esse é um comportamento explicável durante o nosso desenvolvimento quando ainda somos crianças. Carregar essa fase para a vida adulta é outra história.

Algumas atitudes, como se importar com a opinião dos outros, achando que tudo e todos estão com os olhos vidrados em seus passos; não aceitar posicionamentos divergentes; ter opiniões imutáveis; e se relacionar com o próximo tendo como único critério de avaliação a capacidade dessas pessoas em concordar – em tudo – com você são apenas algumas das características do ser humano egocêntrico.

Vendo a imensidão do universo, não consigo conceber como o cérebro de uma pessoa assim se deixa levar pela ilusão de que, além dele, não existe absolutamente nada mais importante – ou maior. Não faz muito tempo assisti a um vídeo que compara o tamanho da Terra em relação aaos outros astros, corpos celestes, galáxias e tudo mais que habita o plano extraterreno. Juro que, se as pessoas que se acham tanto assistissem a esse mesmo vídeo, no mínimo fariam uma bela reflexão sobre o quanto estão vivendo de forma equivocada. Ou não.

Enfim, ninguém está no mundo para viver sendo a sua plateia. Ou pelo menos não deveria. Tomar consciência disso é o primeiro passo para se levar uma vida leve e feliz. Claro, sempre estando cientes de qual é o seu lugar. Seja importante e faça a diferença, mas não caia no erro de achar que é o único.

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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