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POR Nonato Junior

Violência: Juventude e Negritude!

Colunas / 27.10.15

Nos dias atuais debatermos acerca da Juventude e sobre a violência consubstancia-se num debate necessário. Ainda mais se fizermos o recorte étnico-social. Isso mesmo! Negros jovens são as maiores vítimas desta guerra insana que aniquila a vida de milhares de  vidas. Para se ter uma ideia, uma Pesquisa de Opinião, realizada em 2012 pelo Senado Federal, apontou que a maioria dos homicídios (50%) ocorridos no Brasil em 2010 atingiram os jovens, entre 15 e 29 anos. Desses, 75% são negros.

Evidentemente que não podemos entrar diretamente nesse debate sem contextualizarmos e historizarmos o processo de formação da sociedade brasileira.

Somos resultado de um processo escravocrata e centralizador. Foram mais de três séculos de exploração do povo negro africano que brutalmente foi arrancado dos seus lugares e depois mais de dois séculos de expropriação de um povo empobrecido exatamente pela condição exploratória e predatória por parte do colonizador.

A condição primeira, do Brasil de ser uma colônia de exploração, fez emergi essa situação de imensa desigualdade social. E certamente dentro desta, algo que carece de uma atenção especial. Entre os pobres; existem os mais pobres. Quais sejam, os negros (as).

Várias pesquisas comprovam o que chamamos de ‘extermínio da população negra’. As estatísticas atestam que os negros são 2,5 vezes mais violentados do que os Não Negros. Esta juventude está exposta a violência física e simbólica. A vulnerabilidade tem a ver com o preconceito e discriminação racial também. O caráter conservador aflora a cada dia. Daí se faz necessário defendermos inclusive, as cotas raciais, não apenas como um instrumento de defesa. Sobretudo como mecanismo de promoção de igualdades.

Recentemente foi aprovado relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre Violência contra Jovens Negros e Pobres. Onde o propositor e presidente foi o Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT\MG) e a relatora a deputada Rosângela Gomes (PRB\RJ).

“De acordo com o relatório “a razão primordial do genocídio institucionalizado de jovens negros e pobres é o racismo, que historicamente acompanhou nossa trajetória. O povo brasileiro, desde sua origem, caracteriza-se pela colocação do não-branco como inferior”.

No badalado carnaval de Salvador ocorreu um episódio fatídico: a Chacina do Cabula (bairro periférico da capital baiana). Alguns policiais denunciados e muitos jovens negros mortos (uma dúzia para ser preciso), um misto de violência e impunidade dão a tônica desse triste cenário que não é só da periferia dos grandes centros urbanos.

Presenciamos a criminalidade adentrar sem tréguas o interior. Pequenas cidades outrora bucólicas e sossegadas são surpreendidas com as várias modalidades de crimes de arrombamento de caixas eletrônicos até o tradicional tráfico de drogas. Mas tudo isto ainda por falta de Políticas Públicas. A ausência do estado propicia a presença das organizações criminosas.

Ao invés de investir em aparelhos públicos de inclusão, como esporte por exemplo e outras atividades lúdicas e culturais, os governantes preferem injetar recursos em aparatos repressores. Distanciando ainda mais o papel cidadã da polícia.

O lugar destinado aos ex-escravos foi a periferia, que mais tarde seriam a s favelas e “invasões” não se direcionou nenhuma ação reparatória de um modo geral. Urge encontramos atividades concretas que sejam alternativas ao racismo, para que este deixe de desvalorizar e desumanizar as pessoas. E que independentemente da raça, credo religioso ou gênero as pessoas sejam valorizadas e respeitadas. Assim, diminuir e acabar as desigualdades raciais é ao mesmo tempo diminuir e depois acabar consequentemente, desigualdades sociais. Estas iniciativas, devem ser implementadas rapidamente para acabar com essa Violência!

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Raimundo Nonato Silva. Jr, mais conhecido como Chocolate é Sociólogo e Mestre em Educação. Ministra aulas de Sociologia no COLUN\UFMA (foi professor Universitário no Departamento de Sociologia e Antropologia –UFMA, IFMA, UEMA e Faculdade UVA. Além de vários Projetos e Programas) Militante Social e Dirigente Partidário.

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