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POR Amanda Fernandes

Quem nunca?

Colunas / 23.10.15

Já são quase duas da manhã, o bar continua cheio e movimentado. Uma bebida colorida forte. Lá vem o garçom com o copo cheio, quase transbordando, às vezes queria que minha alma fosse assim. Isso é mais uma das distrações que arrumei para um sábado à noite. Achei que ficar sozinha em casa depois de três semanas do rompimento não seria o ideal, agora acho que deveria ter ficado vendo algum seriado no Netflix. Muitas expectativas, poucas verdades, e essa noite me lembra exatamente das noites antes de te conhecer. Dói.

Ainda lembro das minhas palavras: “Você preencheu aquilo que me faltava”. Um grande erro. Esqueci de me preencher sozinha e acabei esquecendo como era viver para mim. Muitas pessoas se tornam mais egoístas quando estão com outras, eu apenas fiz questão de guardar meu orgulho em um canto quando estava com você, se ele vinha durava segundos ou minutos para lembrar aonde era que ele deveria ficar. Assim, voltava e ficava quietinho. Sabe, eu certa ou errada sempre queria muito ter você outra vez.

Uma semana, exatamente, sete dias que eu me “controlo” ao máximo: tomando antialérgicos para dormir feito um bebê e parar de chorar nas madrugadas sem você, acordando para ir trabalhar feito um zumbi, deletando e adicionando mil vezes ao dia seu número na minha agenda, procurando nas suas redes sociais algum indicio que já está com outra qualquer e que aquela sua amiga não era apenas sua amiga, de tarde indo malhar, mas o máximo que consigo é passar 30 minutos na academia, o enjoo é grande demais, corro para dentro de casa e vomito bastante, depois me deito e sinto dores de cabeça o dia inteiro.

A única pergunta que consigo me fazer essa noite e nas noites passadas é: “O que eu faço da minha vida sem você?” Eu sei que isso parece dependência e absurdo, mas vai me desculpando quem vem com essa história de que tem que ser forte, que vai passar, que eu não posso ficar assim. Quer saber? Eu posso sim. Deixa eu viver a minha dor, deixem eu ser feliz vivendo essa experiência tão trágica que é a de se permitir ser violada dessa forma por um outro ser humano. Se eu pudesse te pedir algo, era apenas uma coisa: “Traz de volta, traz aquilo que eu tinha antes de te conhecer. Eu sentia um grande vazio como hoje, mas eu ainda tinha esperança”.

Quer saber, ok. Começo a beber a terceira dose dessa bebida azul piscina e já estou alta. Lá vem mais um homem pedir meu telefone e eu estou me preparando para o segundo “não” da noite. São homens bonitos, muito bonitos. Pronto, mais um não. Agora continuo bebendo, sabe por que esses “nãos”? Porque eu não quero outra pessoa sem ser você. Dói mais. Acabo de virar mais uma dose. Não consigo pensar e pego meu celular, depois de dias sem fazer isso, decido mandar uma mensagem: “Onde você está? ”, depois de alguns minutos vem aquela resposta seca e fria: “Pra que você quer saber?”, eu viro a dose de uma vez, te respondo com um “Quero te ver, estou com saudades”, e na mesma hora você diz “Estou ocupado”. Como assim? Quem está ocupado às 2 da manhã?

Começo a pensar tantas coisas e uma lágrima cai, mas ninguém percebe, limpo rápido e começo a rir com as minhas amigas, fingindo que nada me atinge nesse mundo. Como não desisto fácil, começa a minha humilhação outra vez: “O que você está fazendo para estar tão ocupado? Por favor, vem me ver…”, e sua resposta é: “Estou naquele aniversário do meu primo, saindo daqui dou uma passada na sua casa, mas não vou demorar”. Calculando: quando ele sair, é a hora que estarei chegando, e se não me engano passei de namorada para uma foda rápida. Decidi jogar esse seu jogo ridículo e que me mata inteirinha por dentro.

A gente se vê, você bêbado e eu bêbada, a única diferença é que eu ainda gosto de drinks exóticos e você prefere as cervejas. Se eu sou a sua foda fácil, pode apostar que você é a minha também, mas junto está meu amor. Nunca é apenas sexo com você e é sempre divertido. Você me abraça e me olha com aquele olhar, aquele olhar que eu detesto, um olhar de tristeza e amor que eu nunca no mundo vi em ninguém. Diz, me olhando nos olhos: “O que a gente fez com a gente? ”. E eu choro, bem baixinho. Então você seca minhas lágrimas, dorme comigo mais uma vez. Quando eu acordo do seu lado por um segundo esqueço que não te tenho por inteiro, agora me resta os seus pedaços. Lentamente você abre os olhos e sorri, eu te olho perplexa, vidrada, pensando como a pessoa mais linda desse mundo e que eu amo demais resolveu me deixar, você parece que lê meus pensamentos e diz “Eu quero outra chance, não estou feliz”. Eu quis ouvir isso sempre, como eu queria te ver implorando, mas agora, aqui, simplesmente não sei, me sinto confusa e estou com medo. É mais fácil tomar as doses de ontem à noite do que encarar as coisas complicadas com você. Eu nunca te disse para ir embora, porque era bom estar com você, mas mesmo assim você quis ir e nunca sabe me explicar os seus motivos. Como entender isso?

Lembrei do dia que fomos naquele karaokê, eu subi no palco e cantei Don’t Let Me Down, quase que como um sinal, você não entendeu. Hoje vejo que não entendeu. Eu te amo muito, não vou te deixar ir, mas eu prometo pela décima vez nessa vida que se você me deixar novamente, eu não te perdoo mais. Pena que sou eu que corro atrás. Quem nunca?

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Amanda Fernandes tem 21 anos e faz psicologia. Desde criança escreve como hobby, mas tem vontade de cursar jornalismo. É muito comunicativa, adora conhecer as pessoas e aprender um pouco sobre elas.

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