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POR Bárbara Hellen

Plenitude do hoje

Colunistas / 20.10.15

Ser jornalista e trabalhar com notícias diárias nos permite aprender a se manter, de corpo e alma, no dia de hoje. Isso porque, no jornalismo, o que importa é o dia hoje. O ontem é notícia antiga – se já não vale para o jornal impresso, imagine  para a internet. E o amanhã não nos cabe fazer nenhuma previsão – quando fazemos, deixamos na boca dos especialistas. Estamos, pelo menos nas nossas horas de trabalho,  voltados totalmente para o momento presente.

Outro local onde sempre estamos no momento atual é quando praticamos um esporte. Pergunte a qualquer jogador o que ele estava pensando quando fez um gol. Provavelmente, ele só pensava no momento vivido. Nada, nenhuma memória ou expectativa estava ali. Tudo foi apagado porque o que importava mesmo era o jogador, a bola e a trave. Era necessário se concentrar apenas nisso.

Esses momentos vão de encontro com o modo que encaramos o tempo na vida pessoal: a nossa mente nunca está no presente. Ela transita entre memórias e expectativas, refazendo tudo que foi e imaginando tudo que vai ser. Porém só estamos em nós mesmos quando estamos presentes. O “agora” é o único espaço onde há uma conexão entre você e você mesmo.

Sabe aqueles momentos de angustia? Insatisfação? Tristeza? Na maioria dessas situações, nos baseamos em eventos que já ocorreram ou vão ocorrer. Ou seja, que você está desconectado do seu eu. Quando estamos no agora, estamos centrados, disponíveis, abertos e atentos. Essas são as características exigidas pelo “agora”. Aprendi isso um dia desses, em uma palestra, e fiquei pensando se isso seria verdade.

Comecei a relembrar todos os momentos de insatisfação e percebi que esses momentos eram estimulados por pensamentos que passeavam em outro tempo, passado ou futuro. E mais, reparei o quanto era dispersa, estava indisponível para o presente, fechado para o que momento atual e desatento para os meus próprios sentimentos. Assim, era fácil que a minha mente voasse para o outro canto e trouxesse uma carga pesada de carregar.

E aí volto para o jornalismo. A prática de estar no hoje, através das notícias que estampam nossas manhãs e tardes, traz um novo estilo de vida. Um estilo de vida que de real foco. Não há tempo para se deixar consumir pelas tragédias, manifestações e tudo que aconteceu ontem. O que passou, realmente fica para trás. O máximo que levamos é o aprendizado que aquela notícia nos trouxe. E assim, estamos plenos, no hoje. Como tem que ser.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por um bom livro ou um sábado na praia. Tagarela e cheia das opiniões, adora conversar sobre política e religião… Ou sobre qualquer outra coisa. Ama Fernando Pessoa e cai no clichê ao crer que sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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Uma resposta para “Plenitude do hoje”

  1. Fantástico! Dá uma olhada nos vídeos de Clovis de Barros Filho, professor de ética da USP, que, dentre outras coisas fala exatamente isso!

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