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POR Andressa Valadares

Vai e vem das relações

Colunistas / 16.10.15

O velho e o moço – Los Hermanos

Era um daqueles dias em que a gente se pega revirando gavetas, abrindo caixas, relembrando as saudades em fotografias. Olhando todos aqueles rostos e situações, de alguma forma não me reconhecia mais. Nem a mim, nem as pessoas que comigo estavam.

O engraçado é que, no meio de todo aquele relicário, lembrei de tudo que foi dito, da felicidade da época que, se não era plena, chegava perto. Se alguns acham as relações amorosas um tanto quanto complicadas, eu já penso que a amizade é muito mais.

Daí eu comecei a pensar, também, no que deu errado. Mas, nada deu errado. As coisas simplesmente foram. Não sei se por termos tomado caminhos diferentes – uns seguiram em frente – ou se por alguns terem se prostrado frente à vida – insistindo em continuar sempre no mesmo lugar -, de alguma forma aquelas relações não existiam mais.

Claro, a gente sempre guarda com saudosa lembrança algumas situações. Chega até a sentir falta de algumas delas, mas a sensação é que, se você tentar voltar para consertar, a coisa vai desandar. Alguns daqueles rostos permaneceram, apesar da distância, da falta de tempo e dos desencontros. E foi aí que entendi o verdadeiro sentido da palavra amizade.

No fundo, a gente não deve se culpar pelo fim de uma relação. Seja ela qual for. O ser humano sofre de lonjuras. É inevitável. Mas, o que alicerça qualquer relação é a compreensão e a cumplicidade. É ter sempre a certeza de que – apesar de tudo – aquela pessoa sempre vai estar lá.

Quem faz questão da tua presença não deixa qualquer coisa abalar aquilo dito sólido. Das poucas pessoas que restaram, uma delas diariamente me faz ter certeza do que é a amizade. Costumo dizer que ela é a “minha pessoa”. E olha, muitas vezes já deixei a desejar. Mas ela sempre continuou ali.

Por fim, algumas distâncias não foram de todo ruim. Me afastei de alguns, mas me aproximei de outros. Conhecer pessoas é uma das melhores coisas do mundo. Ainda mais quando elas são grandes – de alma e de coração. A lição que fica é que, no vem e vai da vida, fortes são aqueles que conseguem se ancorar.

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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