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POR Isabel Fonseca

Não seja um abacaxi

Colunistas / 16.10.15

Essa semana eu cheguei tarde do cursinho e como (verbo lindo quando acompanhado da primeira pessoa do singular <3) de praxe, fui caçar alguma coisa para comer. Abri a geladeira e dei de cara com um abacaxi. Aquela fruta exuberante, amarelo-esverdeada? com uma coroa espinhenta, um corpo áspero, um sabor azedo e vez em quando, adocicado.

Como perfeita lunática que sou, metaforizando até o vácuo, me lembrei de alguns seres humanos que convivo e que sim, mais parecem uns abacaxis. Eu vou esclarecer.

Pessoas-abacaxis são criaturas que se armam até os dentes, vivem na defensiva, machucam com a menor tentativa de contato e são ácidas por dentro. Você tenta de todas as formas perfurar aquela casca grossa, desviar dos espinhos, ignorar uns comentários maldosos, mas tudo parece em vão. Ou pior, você acaba absorvendo parte significativa do azedume. Perde a paciência, fica um porre e quando vai beber uma água para dar uma aliviada, até ela está estranha e contaminada pela acidez.

Eu não quero fazer juízo de valor das cicatrizes que cada um carrega nas costas. Muito menos dos motivos que fazem as “pessoas-abacaxis” carregarem tanta energia negativa, tristeza, rancor e outros numerosos sentimentos negativos. Mas tá todo mundo entupido de problemas. O mundo é injusto para você e para os outros 7 bilhões, à sua maneira. Uns disfarçam bem as frustrações, outros estampam mesmo na casca e mais parecem o Wolverine pronto para o duelo final.

Mas pra quê mesmo, hein?!

Boatos de que só se vive uma vez. Bilhete único. Só uma tacada. A certeza é essa vida ordinária de linda. É aqui que as coisas vão acontecer. Se a gente não pode propagar um bem em meio a tantos convictos por aí cantando hostilidades (vide comentários das notícias do G1), que graça tem?!

Então, você aí que vive imerso em aflições, melancolia e desprazer, deixa a gente te descascar, jogar um pouco de canela, misturar com leite condensado, hortelã e açúcar… EITA! Quis dizer dar um abraço cheio de empatia, uma surra de palavras revigorantes e mostrar que existem formas mais saborosas de lidar com os infortúnios dessa existência. Vamos fazer (tudo bem, tentar) desse planeta um lugar onde se pode vivenciar as palavras mágicas do incrível cientista (e mais um montão de coisas legais) Carl Sagan:

“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você!”

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Isabel, 20 anos. Não sabe o que quer da vida, mas tá estudando pra passar em medicina. Personificação de todos os clichês da geração de 95.

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