Foto Colunista

POR Andressa Valadares

Fazendo origami com papel de trouxa

Colunistas / 07.10.15

Apenas um Rapaz Latino-Americano – Belchior

Quem nunca fez papel de trouxa na vida que atire a primeira pedra. Se você ainda não passou por essa experiência frustrante, senta e espera que um dia a sua hora vai chegar.

Tão certo quanto à finitude dos nossos dias, o papel de trouxa veio ao mundo com a função social de nos mostrar que nada é tão ruim que não possa piorar. Ele anda lado a lado com você, esperando apenas o momento certo para se manifestar.

No nosso cotidiano, o papel de trouxa se mostra em pequenas situações corriqueiras como, por exemplo, acenar para aquela pessoa que você jurava que estava acenando para você. Ou enviar mensagem para a pessoa errada e acabar entregando todos os podres da sua vida (ou do coleguinha) para alguém que não tem absolutamente nada a ver. O constrangimento não tem limite.

Contudo, esses dois pequenos exemplos se encaixam apenas na seara do papel de trouxa nível básico, coisas que podem ser superadas em poucas horas de resignação. A coisa piora quando o papel de trouxa sobe de nível, passa para o level hard, e só mesmo um baita choque de realidade para fazer a pessoa cair em si. E, quando esse momento chega, dá-lhe All By My Selfie e posição fetal para superar.

A pior parte de estar no level hard do papel de trouxa é não ter a mínima noção da sua condição como protagonista desse espetáculo. Geralmente, as pessoas que se encontram nesse nível custam a perceber o quanto estão mergulhadas ou sendo usadas por situações degradantes – em todos os sentidos. Quando acordam e percebem suas condições [de trouxas], a sensação é que – apesar dos olhos – você esteve esse tempo todo completamente cego ao que acontecia ao seu redor.

Mas, calma. O que seria da vida não fosse a nossa capacidade de dar a volta por cima, não é mesmo? Aprendi com alguns baques que tudo tem um propósito, até os nossos males. Em vez de acumular papel de trouxa ou se lamuriar a cada vez que isso acontece com você, aprenda a fazer um origami com essas situações. Quem sabe não nasce um lindo tsuru desse papel? E o papel de trouxa, que achou que venceria essa batalha, se transforma em um belo amadurecimento pessoal.

Não é todo mundo que tem humor no coração. Tem gente que prefere sentir até a última ponta de raiva, pois só assim consegue superar a horrível sensação de se descobrir trouxa. Eu prefiro sorrir de mim, faz muito mais bem para a pele. No final, é como disse Mário Quintana: Todos estes que aí estão/ atravancando o meu caminho/ eles passarão/ eu passarinho.

________________

Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

___________________________________________________

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

Seja o primeiro a curtir.

Deixe uma resposta

*

ARQUIVOS

BH NO INSTAGRAM

FOLLOW @BARBARAHELLEN

BH NO FACEBOOK

www.000webhost.com