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POR Manoel Veloso

Sigo as dicas da vovó

Colunistas / 17.09.15

Sem glúten. Ovos fazem mal à saúde. Lactose não foi feita para o homem – todos os animais passam pelo desmame, mas continuamos como bezerros. Uma maçã por dia faz bem para o estômago. Duas castanhas por dia, apenas. Uma taça de vinho também. E mais algumas vitaminas, hortaliças, grãos e proteínas.

Cientistas dizem que reduzir as gorduras da dieta é muito mais efetivo que a redução dos carboidratos. E liberam o consumo dos ovos. Mas os médicos discordam sem dar posicionamento sobre. Só discordam. Por sua vez, dizem que maçã todo dia não é uma boa ideia. E o glúten só deve ser cortado se você for celíaco.

Ficamos a ver navios. Entre gregos e troianos, não escolhemos ninguém. E, se escolhemos, não temos certeza do que estamos preferindo e preterindo. Não porque desconfiamos da certeza da ciência. Mas porque, diante das contradições, a fome não espera. Tampouco a vontade de comer. As refeições são incógnitas. Comer saudável? Sim, mas sem perder a água na boca diante do prato.

A novidade é o perigo em copos d’água. Sabe aquela garrafinha ao lado da cama? Um veneno. O plástico tem vida útil e a garrafa não deveria ser reutilizada. E o copo? Este deixa a água exposta, permitindo a proliferação de bactérias no líquido. O maior especialista do mundo em água afirma o perigo.

Como disse uma amiga, perigoso mesmo é abrir uma geladeira com o corpo quente e pegar a frieza da geladeira. “Gripe na certa”, dizia a sua avó. E, em tantos outros momentos, a sabedoria demonstrou ser mais acertada. Em anos de pesquisa contra doenças, aquela fruta que comíamos de sobremesa aos empurrões da matriarca era, ao fim ao cabo, efetiva até demais. Princípios ativos em chás; a terapia da toalha molhada na testa; até o pepino para tirar as olheiras, bem como a colher gelada sob os olhos antes de sair de casa.

A cultura fitness misturou-se com o “personal stylist versão para refeições”. E enfrentamos a proliferação das cápsulas de reposição de vitaminas e todas as listas intermináveis do que deve ser consumido por dia. Ainda somos bombardeados pelos suplementos, pré e pós-treinos e todos os outros consequentes de uma vida voltada para o culto ao corpo e à dieta mais-que-perfeita. Comer parece martírio – aquele que consegue vencer uma refeição sem entregar-se aos mimos e às calorias excedentes é um herói.

Nessa seara, sou um anti-herói. Sou seduzido pelo meu paladar e comer é deveras prazeroso. Enquanto ninguém se decide sobre os alimentos que podem ser consumidos e aqueles que devem ser evitados, eu continuo sem misturar manga com leite ou comer bolo quente. Nem pego friagem nos pés. E cubro os espelhos em noites de tempestades. As dicas da vovó são infalíveis.

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Manoel Veloso, mas ainda atrás de um plural – são muitas vidas dentro de um só. Dizem ter 21, mas pode ser 32 ou 60. Estudante de Direito da UFRJ, mas gosta mesmo é de Literatura. Sonha em estrelar um “Velozes e Furiosos”. Ousado, mas não o suficiente para declarar-se escritor.

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