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POR Hirllany Brito

Dar à luz

Colunas / 10.09.15

Hoje, no Brasil, muito se tem discutido sobre o parto normal, inclusive pelos dados alarmantes da Organização Mundial de Saúde, que apontam um índice de cesarianas além do necessário e do admissível.

Tive três partos normais (ou naturais).

No primeiro, embora muito nova e com todas as angústias e medos que uma gravidez precoce traz, tinha uma convicção desde o princípio: queria ter minha filha de parto normal. Apenas sentia dentro de mim mesma ser o melhor. Não me perguntem o porquê!

Fiz o pré-natal sempre com a preocupação (quase neurose.. rsrs) de questionar sempre se poderia parir naturalmente e, como tive uma gravidez muito saudável, a única ressalva que a médica fazia era sobre a posição do feto: se estivesse encaixado, tudo bem!

Quando chegou a época dela se encaixar e vi no ultrassom ela lá quietinha, bonitinha… UFA, que alívio! Pois na minha cabeça nem cogitava qualquer outra intercorrência, estando na posição, ok!

Então, na madrugada do dia 07/03/92, acordei para ir ao banheiro e, quando me deitei novamente, tentando pegar no sono, eis que sinto a cama toda molhada! A coisa mais esquisita, porque sabia que não era xixi, pois tinha acabado de ir ao banheiro e aquela “água” saiu de forma involuntária… Muito ansiosa, mas espantosamente tranqüila, me arrumei e fui para Clínica São Marcos que era a um pulo de casa.

Chegando lá me encaminharam para os preparativos, quando fiquei sabendo que não tinha dilatação suficiente. Só nos restava aguardar. Se bem me lembro, era por volta das 02h e ainda não sentia dor. Passado pouco tempo, as contrações começaram e com elas a certeza que o Criador dá o frio conforme o cobertor: sim, doía e MUUUIIIITOOO!!!! Mas iam e vinham, com intervalos misericordiosos, quando voltavam mais intensas e em intervalos cada vez menores.

Nesse ínterim, foi verificada minha dilatação mais duas vezes e ainda não estava no ideal. A médica, então, me deu o ultimato: talvez fosse melhor a cesárea porque a bolsa já havia estourado e o bebê poderia entrar em sofrimento.

Mas, devido a minha insistência, permitiu que aguardássemos mais meia hora (já passava das 6h). Era o tempinho que faltava para minha princesa terminar de se ajeitar para chegar com todo o brilho neste mundo: neste curto intervalo de meia hora, pacientemente esperados por mim e pela minha vocacionada médica Dra. Graça Anchieta, a natureza fez seu trabalho e tive a dilatação necessária para minha primogênita vir ao mundo como naturalmente deve ser.

Às 6:45h, nascia minha pequena e linda boneca, saudável, botando a boca no trombone e me trazendo a certeza que agi certo ao manter minha decisão de tê-la de parto normal. Estava consciente, sem dor, sem trauma e simplesmente realizada pela minha escolha.

As únicas marcas que trago estão no coração e na memória e são as lembranças daquele dia memorável, cujas emoções se repetiriam novamente 13 anos depois e 20 anos depois, nos nascimentos da minha segunda e do meu terceiro filho, já com meu atual médico, Dr. Palmério Brito, indispensável na manutenção da minha convicção a favor do parto normal.

Não se trata aqui de fazer uma competição sobre qual método é melhor, pois não se trata de uma escolha, mas de eleger qual método é melhor para a mãe e para o bebê. Utilizando a exceção em situações excepcionais!

Compartilho minha experiência para que todas as grávidas ou que pretendam ter filho considerem o parto normal não como uma opção a ser escolhida, mas como uma decorrência natural desse lindo processo de trazer um ser humano ao mundo. Lembrando que hoje existem diversas opções que tanto humanizam quanto tornam indolor o parto natural.

Não nos deixemos levar por esse terrorismo médico, retratado nas estatísticas, que mostram mães que a princípio querem ter seus bebês de parto natural e “mudam de idéia” ao longo da gravidez, infelizmente muitas vezes estimuladas ou influenciadas pelos próprios médicos, os quais omitem que a cesárea é uma cirurgia com todos os riscos inerentes durante e pós-cirurgia, ou por uma sociedade que tenta programar tudo, inclusive a vida.

Programe-se, mas para entender que nenhuma dor momentânea se compara ao sentimento eterno que te invade para nunca mais te deixar e que nascemos com esta força, não interessa se somos medrosas ou sensíveis.

Programe-se, então, para escolher um médico que compartilhe de suas convicções e somente te submeta a uma cirurgia se for estritamente necessário.

Programe-se, enfim, para ser uma mãe amorosa, paciente, dedicada.

O parto é uma saída, mas também uma chegada, num mundo novo, agressivo aos olhinhos deste ser tão pequenino, porquê não deixar a natureza fazer o que bem sabe?!

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Hirllany Brito é advogada e mãe de Bárbara Hellen (sim!), Giovanna e Leonardo.

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Uma resposta para “Dar à luz”

  1. Lindas palavras, com muito sentimento. Tornar-se mãe não é fácil, mas é o mais lindo papel que podemos ter em nossas vidas. Me emocionei. ?
    PS. adorei o blog.

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