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POR Andressa Valadares

Aprendendo a desrotinar

Colunistas / 19.08.15

(Trilha sonora: Free Bird – Lynyrd Skynyrd )

Eu costumava pensar que, por vivermos em um mundo globalizado e cheio de possibilidades, levar a vida em um total marasmo seria apenas uma questão de opção. Ledo engano. Chega uma hora em que, de uma forma ou de outra, ligamos o automático e vivemos sempre deixando passar. E nos levar.

Então, quando foi que você fez algo pela primeira vez?

Desrotinar a rotina não é uma tarefa fácil. Exige prática. Exige desapego e, sobretudo, exige coragem. Eu sei que não é fácil abandonar nossas certezas. Não é fácil sair do lugar comum. Costumamos achar que é sempre mais confortável e seguro não mexer em time que está ganhando. Deixa a ousadia para os lunáticos, os sonhadores, os que não têm medo de dar tiro no escuro.

Vivemos sempre de forma tão programada, que esquecemos de dar à vida a chance de nos surpreender. E esse é um apego que começa desde as pequenas coisas do cotidiano. Se todo dia costumamos pegar um mesmo caminho, quando desviamos a rota e tentamos um novo trajeto para chegar ao mesmo lugar, inconscientemente tendemos a nos incomodar, ainda mais quando acontece algo inesperado. Sentimos falta do hábito. Estamos sempre de mãos dadas com o apego.

Até a respiração melhora quando nos permitimos fazer algo novo. A sensação do ineditismo é capaz de preencher o seu peito com uma coragem que você nem sabia existir. Quando você para de acumular rotina e começa a deixar a energia circular, o horizonte fica mais divertido.

Nem todo hábito ruim. Nem todo apego faz mal. Desconstruir também pode ser uma opção. Só não se permita chegar àquele estado crítico em que, de tão cansado da rotina, o corpo padece. A cabeça enlouquece. E o coração endurece.

O mundo agradece!

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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Uma resposta para “Aprendendo a desrotinar”

  1. A “doença de ser normal” impregna nossa sociedade e cada um de nós. A normose nossa de todo dia priva nossa criatividade, tolhe a alegria de viver e a espontaneidade, além de rotular quem foge do lugar-comum da pretensa normalidade social.

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