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POR Ana Paula Coelho

Machismo nosso de cada dia

Colunas / 17.08.15

Demorei certo tempo até conseguir entender o que era e o que fazia o machismo com as mulheres, observei mulheres da minha família (são muitas), minhas amigas, a televisão, os livros… tudo! Ao longo de 23 anos percebi enfim, que sim é verdade, o machismo está em tudo e não é loucura não.

O machismo é aquele pensamento, ideia, maneira de pensar que submete a mulher ao posto de subserviente, serviçal de outro ser, da mesma espécie, só que masculino. E daí vão se desenhando espectros de homem e mulher ideais, conjunto fundamental para a formação do que podemos chamar de cultura machista.  Esta que se baseia na desigualdade entre os gêneros, onde um possui características mais valiosas que o outro.

E aí vão se desenhando estruturas de poder onde a figura feminina é jogada para as sombras de paredes úmidas e se transformam em verdadeiros fantasmas, objetos de procriação. Quantas mulheres você viu nos livros de história que eram donas de si e fizeram grandes feitos? Pouquíssimas. As que existiram, e com certeza foram muitas, no máximo exceção à regra ou viraram lendas.

O machismo é pura e simplesmente um dos espectros do poder e dominação sobre a vida feminina que privilegia os homens.

A imagem masculina do homem viril, forte, poderoso, só sobrevive sob uma porção de mulheres violentadas, flageladas e subjugadas. O que se reflete nos relacionamentos amorosos, nas regras sociais, no comportamento, no conhecimento e em diversas áreas, formando uma cultura de subjugados e de segregação. Os espaços que são devidos às mulheres são os que o homem determina.

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Os relatos de mulheres que são espancadas e até mortas por seus companheiros são os sinais extremos da sede de afirmar poder de um homem, não entendo essa sede como algum tipo de deficiência, mas algo para o qual são formados, ainda que sem intensão alguma. Quando se afirma que o natural do homem é a força; ou que ‘ah! a carne é fraca!’ ou então; que ele deve ‘pôr ordem na casa’, estamos naturalizando a violência e dominação masculina, seja psicológica ou física sobre o que ou quem estiver ao seu alcance.

A violência está em nuances, em detalhes! O machismo vive nos detalhes, ele sustenta diversas cadeias de violência e opressão. Está na escola, no quartinho do bebê, na escolha de sapatos, no cotidiano. Por isso é necessário descontruir através da reflexão, da posse feminina dos espaços que lhes são negados.

Será que o que nós fazemos nas nossas vidas não reproduz machismo? Quando não tratamos bem nossos parceiros, quando xingamos a solteirona que não consegue segurar ninguém, quando tentamos agradar a todos os homens em diversas escalas de esforço.

Refletir sobre as origens do machismo e do porque existirem homens que não respeitam as mulheres como seres humanos (aqui trato mulheres como seres humanos e não como seres de um plano superior dotadas de poderes mágicos), como pessoas que não precisam se dar ao respeito porque esse elas já tem por direito, de shortinho ou de burca.

Em alguns momentos, pensar nas vezes em que sofremos com o machismo facilita criar empatia e amor por mulheres vítimas da violência e que estão sujeitas aos riscos de serem mulheres. A empatia fortalece a união das mulheres, nos torna mais fortes.

Mulheres unidas contra o machismo representam a esperança de um mundo de igualdade e mais felicidade, onde não seja perigoso ser mulher, mas sim uma dádiva.

Para entender melhor:

Autoestima e coletividade, por Patricia Guedes

Dia a dia com o machismo, por Carolina Davi

Sobre um dia de trabalho e o que podemos fazer contra o machismo, por Emilia Hamam de Figueiredo

Traição e a cultura do machão, por Mari Messias

Sobre misandria e a reação do oprimido, por Ana Luisa Hickman

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Ana Paula Coelho é jornalista formada pela Federal do Maranhão, ativista feminista e grande apreciadora de conversas de bar, política e quebra de paradigmas.

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