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POR Anna Júlia Leão

A idade e o tempo

Colunistas / 14.08.15

A confusa relação entre a idade e o tempo é um assunto que tem sido pauta na maioria das mesas que me rodeiam em locais públicos. Alguns se lamentando, outros se vangloriando e há ainda os estáticos – como costumo chamar –  aqueles que ainda não atentaram para o fato de que é realmente preciso ter atenção com o que tem sido feito com os anos vividos, sendo esses últimos ausentes de qualquer opinião acerca do tema abordado. O fato é que há sim uma relação, às vezes aterrorizante ou não, para muitas pessoas.

As literaturas psicológicas costumam afirmar que somos bagagens de experiências e que tudo aquilo vivenciado, por mais insignificante que possa parecer, acomoda-se de forma sinuosa em nosso subconsciente. Acredito esse ser o principal ponto para definir qual lado ficar na estressante e fadigada conversa que é a “Você ainda tem muito tempo pra viver” “Agora não dá, preciso ainda olhar os meninos, Lucas só tem 20 e Artur 24”. Experiências são como cargas, possuem os dois polos, o positivo e o negativo, é preciso saber e decidir como e por qual você vai escolher passar.

A certeza é que o tempo passa, e em uma velocidade cada vez mais assustadora de acompanhar. Primeiro a infância e de repente os quinze anos, depois a juventude e espantosamente o casamento e alguns filhos. Quando pensamos em parar pra respirar, a terceira idade chega e o saber vivencia-la saudavelmente. Não parece ser fácil. Com toda essa programação, ainda temos que aturar os erros de cálculo no caminho, a viagem de formatura que não aconteceu, o casamento que se desfez dias antes da cerimônia, a possibilidade de não ter tido filhos e a terceira idade solitária. Tudo pode acontecer. E se acontecer? Há tempo para se refazer? Tempo de fazer a viagem? Um casamento de 30 anos, hoje ambos com 50, recém-divorciados ainda conseguem recomeçar tendo tido tempo de digerir o acontecido? Ou precisam correr?

Isso me faz refletir muito e desconfiar algumas vezes daquela velha frase ‘’Todo dia é dia de recomeçar’’. Não é tão simples assim. Mais maduros, mais vividos, experientes e com um subconsciente cheio de bagagens amarrotadas, estar pronto pra navegar em águas duvidosas definitivamente não parece ser encorajador. Por isso, é importante saber como ultrapassar os erros, as emergências, o que não era pra ser e foi, o que não contava nos planos.  É nessas horas que o polo positivo precisa ser vivido, crê e viver aquilo que os famosos dias de recomeço têm a oferecer. Os amigos. Os diferentes daqueles que discutem sobre o tema nas mesas de bar.

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Anna Júlia Leão, 18 anos, é maranhense e estudante de Odontologia. Extrovertida, comunicativa e sempre muito interessada na complexidade e psicologia humana.

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