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POR Bárbara Hellen

A urgência da vida

Colunistas / 11.08.15

Dê graças se você é uma pessoa acomodada. Sim, estou falando sério! Com certeza você deve levar uma vida mais tranquila do que aqueles, como eu, que tem urgência de viver. Que não sabem empurrar com a barriga aquelas situações onde o fim é previsto, onde a balança entre o positivo e o negativo já está descompensada ou não trocam um não por um talvez.

Vejo muita gente por aí empurrando situações para resolver depois, em um momento melhor. Sinto muita inveja, pois não sei esperar. Acabo sempre resolvendo tudo hoje. E esperar é uma ótima opção. Mais do que isso, invejo a fé que algumas pessoas têm e conseguem ficar conformadas com qualquer situação que Deus – ou o acaso – propuser. Talvez, a evolução espiritual delas já permita que elas consigam entender de fato o que significa “tempo de Deus”.

Enquanto isso, do outro lado, estamos nós, os afobados, afoitos e ansiosos. Provavelmente, já estaremos procurando soluções e agindo. Afinal, se alguma coisa pode ser feita, ela será. Esquecemos que a vida realmente ultrapassa o qualquer entendimento, como Clarisse Lispector já poetizou inúmeras vezes em legendas de Instagram. Se não entendemos, não aceitamos.

Na verdade, acho que a única coisa que a intensidade nos permite entender é que a vida é uma constante luta entre os nossos desejos e as nossas escolhas. Corremos atrás, sem medo de levar um soco na cara, pois acreditamos que se já temos o “não” devemos ir atrás do “sim”. E se o “não” continuar sendo a resposta, ainda assim estaremos em paz, pois o “e se” nunca tomará conta dos nossos pensamentos quando o calar da noite vier. Nesse momento, tudo que “poderia ser” não se transformará em enormes pesadelos capazes de fazer qualquer Dramin de bobo. Pois tudo que poderia ser feito, foi feito.

Abraçar o que o coração propõe é uma escolha apenas dos que tem urgência de viver. Não serve para qualquer outra pessoa. Não serve para quem aceita sem entender. Não serve para quem tem medo de se decepcionar. Não serve para quem tem medo de sofrer. Não serve para quem apenas aceita.

Viver com o coração, com a intensidade que ele bate, é estar sempre fora da zona de conforto. É sentir a tranquilidade das grandes tentativas e saborear a vitórias das grandes lutas. É acumular derrotas, sim. Mas utilizar de cada uma delas para se transformar. É lutar com Deus – e não deixar o trabalho todo para ele – por tudo aquilo que você deseja. Cair no choro, desacreditar para depois se levantar mais forte que nunca e, mais uma vez, partir para a luta como se aquela fosse à primeira vez.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por uma boa conversa, um bom livro ou um sábado na praia. Ela admite: é tagarela, cheia das opiniões, perfeccionista e organizada. Adora conversar sobre política, mercado de trabalho e religião. Otimista, crê que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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