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POR Marcelo Moreira

Um País e suas panelas

Colunas / 10.08.15

O que podemos saborear na cozinha Brasil? No cardápio do dia, inflação, desemprego crescente, fisiologismo, um Estado gigante e inoperante, um Congresso Nacional de oportunistas, chefiado por investigados em corrupção, uma sopa ideológica de bolivarianismo-chavismo-lulismo de causar enjoo mesmo àqueles mais acostumados com comida pesada e bem gordurosa…

Liderando os despreparados cozinheiros montados em trinta e nove ministérios, a Master Chef Dilma, aquela mesma que não estabelece meta em sua cozinha, deixa a meta aberta, mas que promete que quando atingir a meta, vai dobrá-la…

Até quando iremos esperar para saborear um bom prato? Nem precisa ser daqueles muito requintados, afinal com o preço do dólar subindo mais do que a temperatura da água que cozinha um ovo, queremos pelo menos ter direito a um digno arroz com feijão e bife – nem precisa ser Friboi.

E nessa cozinha, onde já faltam suprimentos porque aqueles adquiridos na base de pedaladas fiscais já se findaram, já não se encontra mais açafrão, alho, cebolinha ou coentro. O que se dizer do ponto do sal, então? Ou o prato vem muito salgado ou completamente insosso. Quanto ao doce da sobremesa, nem pensar. Pelo menos podemos economizar no consumo de indesejadas calorias.

E nesse sarapatel de comunismo, populismo e getulismo tardio, continuam nossos cozinheiros a culpar aqueles a quem deveriam alimentar de “elite branca”. Difícil é achar que as massas de milhares de brasileiros e brasileiras, sem distinção de gênero e cor da pele, das mais variadas classes sociais de cidades de norte a sul do Brasil que invadem as ruas em apartidárias manifestações clamando por respeito ao dinheiro público, ética na política e responsabilidade na gestão econômica possam simplesmente ser qualificados de “elite”, quanto mais, “branca”. É muito insulto às nossas inteligências e aos nossos estômagos.

Definitivamente, não há como falarmos em futuro próspero com ideias do passado. Não há como termos como modelo Cuba, Venezuela, Bolívia e Coréia do Norte vivendo no mesmo planeta onde estão Islândia, Dinamarca, Suíça, Noruega e Alemanha. Há algo de muito podre exalando da nossa cozinha e é impossível termos a inspiração para prepararmos bons pratos com tanta comida estragada.

E assim, sem podermos esperar nada de bom da nossa Chef, torcendo para que ela entregue seu toque blanche, nos agarramos ao caldo de cana da Polícia federal, ao fast food do Rodrigo Janot e ao desjejum do destemido e competente Sérgio Moro. Pelo menos, com eles, conseguimos manter uma dieta que nos garanta o mínimo de nutrientes para termos força de, mais uma vez, no dia 16 de agosto, voltarmos às ruas para manifestarmos pacificamente nosso inconformismo e nosso desejo por dias melhores. E não esqueçamos, é claro, das velhas panelas, que por estarem sempre vazias poderão ser utilizadas para outra finalidade, afinal, ainda que esfomeados, os brasileiros não dispensam uma boa batucada.

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Marcelo Silva Moreira é Juiz de Direito, Vice-Presidente da Associação dos Magistrados do Maranhão.

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2 respostas para “Um País e suas panelas”

  1. Muito bom! Não podemos condenar totalmente as manifestações por alguns posicionamentos acríticos e retrógrados isolados, como a proposta de retorno a ditadura (credo). Todos sentem os efeitos da crise e tem o direito de protestar pacificamente. Muito bonito ver a sociedade civil brasileira, há tempos tão apática, se propondo a ir às ruas.

  2. Excelente texto! Analogia bem posta que, com leveza, mas sem perder a profundidade e seriedade que o tema exige, demonstrou a roda-viva em que nos encontramos! Parabéns pela oportuna escolha do tema e do momento (coincidente com a visita da nossa Presidente ao nosso Estado) e pela escolha do analista!

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