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POR Bárbara Hellen

O dom de gostar

Colunistas / 04.08.15

Gostar de um outro ser, com a sua totalidade repleta de defeitos e qualidades, é difícil. E é preciso gostar para transformar uma amizade em um bom relacionamento. Com a maturidade, percebemos que os bons relacionamentos vão além da superficialidade dos encontros em balada ou do número de pessoas em suas redes sociais. Boas amizades exigem um pouco mais.

Nesse mundo onde cada segundo não pode ser desperdiçado, conseguir reunir alguns amigos para papear em uma tarde é difícil. Ver a sinceridade do outro em querer te ver feliz é raro. Conseguir que o outro não coloque os seus interesses acima do seu bem estar é praticamente ganhar na loteria. Ser ouvido sobre o mesmo assunto e ainda assim ouvir respostas vindas do coração é perceber que existe um dom para quem ouve. O dom de gostar.

Ter o dom de gostar é preencher o vazio que não pode ser preenchido. É dar uma palavra, um abraço, um segundo. É não querer magoar e não magoar. É magoar e pedir desculpas sinceras. Tentar reparar – e não somente deixar para lá. Já perceberam o quanto deixamos “para lá” com facilidade as amizades? Para alguns, basta uma palavra mal dita ou um abuso da cara do amigo. Eu já ouvi: enjoei de fulano. Como se fulano fosse descartável – ainda que ele não tenha sido naqueles momentos que você tanto precisou.

Aquele papo dos mais velhos de que à medida que vamos crescendo as amizades verdadeiras vão diminuindo é verdade. Durante o crescimento, acontece uma inversão das prioridades e as pessoas deixam de se importar tanto com o que é fundamental para o outro. Mas gostar não seria isso? Se importar com o que o outro se importa mesmo que a gente não se importe?

Então, decidi: ter o dom de gostar é conseguir se importar mesmo quando ninguém se importe. É conseguir se doar quando as pessoas só querem receber. É conseguir fechar os olhos para a falta de consideração de muitos para abrir os olhos para aqueles que ainda têm. É ter poucos e bons que fazem questão de aparecer, que não inventam desculpas e que são sinceros na hora de dizer não. Aqueles poucos e bons que vão te aceitar nos momentos de loucura, nas chatices, quando você não tiver consideração – e não darão o troco por isso, aqueles que vão fazer de tudo para que você se sinta especial e completa. E no fim, com esses poucos e bons, você vai perceber que não precisa de quem não faz questão.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por uma boa conversa, um bom livro ou um sábado na praia. Ela admite: é tagarela, cheia das opiniões, perfeccionista e organizada. Adora conversar sobre política, mercado de trabalho e religião. Otimista, crê que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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2 respostas para “O dom de gostar”

  1. No dizer de Camões, musicado por Renato Russo:”é um ganhar que se ganha em se perder”… “é um ter com quem nos mata lealdade”… “tão contrário a si é o mesmo amor…”

  2. Você sempre certa nas suas colocações! parabéns mais uma vez.

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