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POR Andressa Valadares

Destino: it’s not a bitch

Colunistas / 29.07.15

(Trilha sonora: Roda Viva – Chico Buarque)

Maktub. Particípio passado do verbo Kitab. É a expressão característica do fatalismo muçulmano. Maktub significa “estava escrito”. Ou melhor, “tinha que acontecer”. Essa expressiva palavra dita nos momentos de dor ou angustia não é um brado de revolta contra o destino, mas sim a reafirmação do espírito plenamente resignado diante dos desígnios da vida (…)”.

Assim como o Karma, Maktub é uma expressão que sempre me deixou intrigada. Tenho a palavra estampada em uma blusa, na época comprada sem a mínima ideia do que aquilo significava – mas, logo depois começou a fazer sentido. A definição acima está na letra de um rap, mas poderia muito bem estar gravada em outdoors pelo mundo afora, traduzindo para as mais diferentes línguas como o destino pode ser um jovenzinho sapeca.

Mas, o que seria o destino afinal? Cada ser que habita o plano terreno tem realmente uma missão? E qual seria a sua?

Quando somos jovens, temos quase sempre a estranha mania de acreditar que tudo que nos acontece de errado ou nos desagrada é fruto de uma conspiração terrível do universo. Pelo menos eu pensava assim (talvez pense até hoje). É mais fácil culpar o não palpável, o zodíaco e mais ainda o pobre do destino, que está aí apenas cumprindo a sua função social.

Aprendi com a vida que, na maioria das vezes, o universo não age contra, mas sim a nosso favor. O que acontece é que, em certas ocasiões, nós é que acabamos conspirando contra nós próprios. Podemos chamar isso de um ritual inconsciente de autossabotagem, que nada mais é que uma tentativa da sua mente de manter o status quo e garantir que nenhuma grande mudança ocorra e abale a manutenção do equilíbrio aparente da sua vida.

Hoje, mais do que nunca, estamos sempre muito focados em alcançar nossos objetivos o mais rápido possível. O anseio em atingir metas e conquistar aquilo que almejamos por vezes nos cega. Ficamos tão bitolados na linha de chegada que deixamos de aproveitar o caminho e todas as suas possibilidades. Quando no meio dessa jornada um imprevisto acontece, o mundo cai. Costumamos achar que fracassamos e sequer aproveitamos aquele acontecimento como aprendizado, ou até mesmo como uma oportunidade de chegarmos à linha de chegada de uma maneira diferente.

É fato que é preciso muita maturidade para entender a nossa jornada. Ter um espírito resignado frente aos desígnios da vida não é lá uma tarefa das mais fáceis. A compreensão vem com o tempo. E com as quedas. Eu tinha muitas certezas na adolescência e, hoje, a única certeza que carrego comigo é a da finitude do corpo. E só. Não condeno aqui quem costuma traçar metas, planos e se esforça por algo que tanto deseja. Mas, as coisas acontecem quando têm que acontecer. É um clichê necessário.

Acredito realmente que tudo “está escrito”. Maktub. Contudo, o destino não é o vilão da nossa história. Pelo contrário. Ele nos dá diariamente oportunidades de desbravarmos a nossa jornada como um tecelão, juntando a cada passo da nossa trajetória os fios para formarmos a nossa preciosa obra final. Então, deixa o vento soprar. Let it be…

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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