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POR Andressa Valadares

Amor de cão

Colunistas / 22.07.15

(Trilha sonora: You’ve Got a Friend – James Taylor)

Quantas vezes na vida você teve o prazer de sentir em cada ponto do seu corpo as sensações do amor genuíno? O que seria o amor genuíno? Sempre que paro para pensar sobre o assunto, automaticamente me vem à cabeça a imagem dos meus cachorros – os vivos e os que já descansam em paz –, cuja única falha que carregam é o fato de terem uma vida curta.

Os seres humanos são falhos. Duvidosos. Incoerentes. Capazes de diluir o amor no ódio e o ódio no amor ao menor sinal de descontentamento. São pessoas que quase nunca conseguem viver a plenitude do amor incondicional, pois geralmente levam uma vida na base dos dois pesos e duas medidas, em um eterno toma lá dá cá. Ao contrário dos cachorros, que são a materialização do afeto sem interesse, genuíno e que, de fato, não tem preço.

Só quem sente amor de verdade por esses bichinhos entende que qualquer sacrifício é pouco para retribuir tanto amor gratuito. Enquanto o mundo te cobra ações, planos, carreira, ascensão e retorno, existe um ser vivo de quatro patinhas que só precisa de um graveto e dez segundos de sua atenção para ganhar o dia. São seres pequenos, mas grandes de alma e de coração.

Não há nenhuma terapia no mundo melhor do que um cachorro lambendo o seu rosto. Eles têm uma forma de encontrar as pessoas que deles necessitam, preenchendo um vazio que elas nem sequer sabiam existir. É quase como uma missão, só que melhor.

Eu raramente costumo confiar em quem diz não gostar desses animais. Acredito que essas sejam pessoas que sempre têm algo a esconder, um lado escuro que pode vir à tona na primeira farejada. Por isso, preferem ficar longe desses verdadeiros descobridores da alma humana. Triste aquele que não consegue sentir afeto por nada além daquilo que vê no espelho.

Sempre que se sentir sozinho, olhe para o seu cachorro, o seu gatinho ou qualquer que seja o seu animal de estimação. Sinta ali o amor genuíno e a certeza de que, apesar de tudo – e apesar do mundo – ali você sempre encontrará amor. De quantas pessoas você pode dizer o mesmo?

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Andressa Valadares é jornalista e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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Uma resposta para “Amor de cão”

  1. São meu bálsamo em qualquer situação…

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