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POR Rafaella Bacelar

Dietas Restritivas

Colunas / 20.07.15

Antes de mais nada, é importante destacar que o termo ‘dieta’ vem do latim ‘dietare’ e refere-se a todo um trabalho de reeducação alimentar que é feito individualmente, respeitando as necessidades energéticas de cada paciente. Afinal, cada indivíduo possui um metabolismo e um estilo de vida próprio. O intuito principal de um novo programa alimentar é a mudança dos maus hábitos alimentares, e é super importante que o paciente entenda a importância de uma alimentação saudável e os benefícios que um novo estilo de vida pode trazer ao corpo e a mente. Assim, a chance de que o paciente tenha adesão à dieta e consiga seguir uma rotina alimentar em longo prazo é bem maior. Ou seja, fazer dieta nada tem a ver com restrição alimentar, ao contrário do que a mídia tem imposto cada vez mais à sociedade.

As dietas restritivas, cada vez mais presentes em capas de revistas, programas de tv, internet, e algumas vezes sugeridas até mesmo por profissionais da área da saúde, geralmente tem como principal característica a restrição de certos grupos alimentares, em especial o carboidrato, que deve corresponder a 55% do valor calórico total ingerido ao dia, ou seja, a maior parte. Outras dietas induzem a ingestão de enormes quantidades de proteínas, e a grande maioria são dietas hipocalóricas, ou seja, pobres em calorias, ficando abaixo da recomendação energética diária de um adulto saudável. Essas dietas levam a uma rápida perda de peso, porém, além de não serem seguidas a longo prazo, devido a grande restrição e monotonia alimentar (já que diversos alimentos são vistos como “proibidos”), podem causar uma série de deficiências nutricionais como anemia, osteoporose, queda do sistema imunológico, enfraquecimento de unhas e cabelos, sobrecarga renal e hepática (devido a ingestão exagerada de proteínas) e sintomas de hipoglicemia, que consiste na redução dos níveis de açúcar no sangue, geralmente causados pela diminuição drástica do consumo de carboidratos.

Chegar ao peso ideal de forma saudável e continua não tem relação nenhuma com restrições ou atitudes radicais como a eliminação de algum grupo alimentar, dietas pobres em nutrientes, jejuns prolongados, ou dietas hipocalóricas. Pelo contrário, pois seguir dietas muito restritas em calorias influencia o metabolismo, fazendo com que o corpo sinta necessidade de economizar energia, já que não sabe quando vai receber ‘combustível’ de novo. Logo, o corpo diminui o gasto energético, implicando no reganho de peso após o término da dieta.  É o famoso “efeito sanfona”. O que precisa ser feito é diminuir e distribuir as porções de todos os grupos alimentares ao longo do dia e praticar exercícios, visto que a perda de peso acontece quando as calorias gastas superam as calorias ingeridas.

De acordo com o Ministério da Saúde, uma alimentação saudável é aquela que apresenta o consumo de vários tipos de alimentos, ou seja, para emagrecer com saúde é essencial ingerir todos os grupos alimentares (em quantidades adequadas, é claro), pois quanto maior a variedade de ingredientes, maior será a participação de nutrientes que desempenham funções específicas na saúde.

As pessoas precisam entender que o processo de engorda ou emagrecimento não acontece de uma hora pra outra, portanto, impor metas exageradas como emagrecer 10 kg em poucas semanas é um dos fatores que impedem os resultados positivos. Não existe fórmula mágica. Antes de pensar em emagrecer, é preciso, em primeiro lugar, buscar auto-conhecimento e promover mudanças de hábitos e comportamentos alimentares, preferencialmente com o apoio de um nutricionista qualificado. E o mais importante: não veja os alimentos como “vilões”. Não existe alimento proibido e nenhum alimento sozinho faz milagre. O que existe é comprometimento e a busca pelo bem estar e saúde, antes da aparência física. Transforme sua relação com os alimentos e a escolha por uma alimentação equilibrada chegará espontaneamente. Assim é possível manter a qualidade de vida e o prazer em comer.

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Rafaella Bacelar é formada em nutrição pela universidade Mackenzie, em SP e pós graduada em terapia nutricional nas doenças crônicas não transmissíveis pelo Hospital Albert Einstein, também em SP. Ama a profissão que escolheu, está sempre se atualizando sobre o assunto e faz planos de abrir um consultório em São Luís.

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4 respostas para “Dietas Restritivas”

  1. É uma pena que a maioria de nós, brasileiros, seja tão ligada no mundo fitness e nos padrões de beleza e ao mesmo tempo tão ignorante no que realmente importa, na riqueza e poder dos alimentos.
    Além disso, a industrializacao desenfreada dos alimentos, os geneticamente modificados salvadores-da-fome-mundial #sqn e o Deus-sódio todo poderoso, todos com seus altares em nossas casas, são cultuados pela mídia (logo, por nós) e nos é ensinado que tem um gostinho tão bom! Sao tão práticos!
    É… E o que tem dentro?

    • Exatamente! Queremos ser fitness e não saudáveis. E aí está o problema, na minha opinião.

      Me irrito demais com as dietas a base de proteína isolada, por exemplo. Ué, não tem proteína já nos alimentos que comemos? Qual a necessidade que optar por um pó industrialmente feito que sabe-se lá o que tem dentro? Não confio! Uma vez ou outra, ok. Mas viver a base desse tipo de alimentação é complicado. Hoje busco ser saudável e optar, na medida do possível e sem radicalismo, por alimentos que sejam bons para o meu bem estar e os mais natural possível. Acho que ainda estou longe do ideal, mas sei que leva tempo porque não quero uma dieta de 1 mês e sim uma mudança para a vida! E aí leva tempo, não tem jeito.

  2. Tudo, absolutamente tudo, na vida é equilíbrio! Equilíbrio de corpo, mente e espírito! Todo extremo é nocivo! Parabéns Fafá, já mostrando ao que veio…aguardo ansiosa atendimentos na ilha…bj

    • Com certeza.. Não dá para querer ser extremamente fitness e esquecer de outras coisas da vida que também nos fazem bem. Por exemplo, um chocolatezinho uma vez ou outra. Hahahaha!!

      Também no aguardo dos atendimentos dessa nutri mara! 🙂

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