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POR Ludmila de Gaia

Gravidez fora dos planos

Colunas / 17.07.15

Tenho refletido e pensado muito na situação em que me encontro, e esse texto pode até ser uma forma de desabafo. Enjoos, menstruação atrasada, mal-estar. Mesmo não acreditando que podia ser, na hora do teste: POSITIVO. O mundo parecia desabar, só queria voltar aquele dia em que esqueci o anticoncepcional. Gravidez definitivamente não era um assunto que eu já tinha parado para pensar nos meus poucos bem vividos 23 anos. Um susto acompanhado pelo medo da aceitação da família, namorado, amigos e pelo medo de não ser capaz de lidar com as mudanças nos planos, na vida e no corpo.

Após contar, alguns fatores minimizaram o meu desespero, como apoio total da família, namorado maravilhoso que reavaliou a vida e me ajudou a mudar os planos e um emprego fixo. Mesmo assim, as dúvidas, medos e anseios continuaram atormentando as primeiras semanas. Até que ouvi o coração daquele pequeno ser na ultrassom e senti o  amor à primeira vista. Foi o momento em que sentei, respirei fundo e comecei a  aproveitar a notícia de ser mamãe. Naquele instante, as dúvidas se tornaram forças e esperanças para um futuro melhor. É extraordinário pensar que vai existir um ser dependendo de você e que você vai poder acompanhar o seu crescimento na barriga. O medo de ter se transformou no medo de perder, de não ver o sorriso.

Eu fico imaginando como um dia tive coragem de pensar que se caso acontecesse isso sem planejar, se não me sentisse preparada, iria abortar. Acho que estava completamente fora de mim, nunca me perdoaria se um dia o fizesse. Acredito que uma mulher nunca está preparada para ser mãe, muitas coisas só aprendemos sendo. Ainda mais quando não é uma gravidez planejada, a surpresa com certeza desestabiliza muito mais do que aquilo que é previsto.

O amor que sentimos ao acompanhar o crescimento, ao saber o sexo, ao sentir a movimentação do bebê é inexplicável. Esse amor sem ter tocado, sem ter visto ou escutado, só conhecia um amor parecido, o de Deus. Hoje, me sinto abençoada e agradecida por essa benção concedida e de braços abertos, na longa espera de 9 meses, conectada nesse estado de graça que é a maternidade.

Que a minha experiência sirva de exemplo e que jovens e adolescentes nunca encarem a gravidez como a pior coisa do mundo, um erro, como se tivessem interrompido a vida. Espere sentir o coração, a força vem da onde menos esperamos. Tudo tem um propósito e o de um filho é, sem dúvidas, trazer felicidade para as pessoas próximas. E amor, muito amor.

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Ludmila de Gaia Teixeira é uma mamãe de primeira viagem, que está na espera ansiosamente para novembro, em que vai olhar pela primeira vez o rostinho da Manuella. (Sim, é uma menininha).

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3 respostas para “Gravidez fora dos planos”

  1. Sei exatamente o que é isso…engravidei aos 19 e tive minha filha aos 20 anos! Mas, apesar de todo o conflito interno dos primeiros momentos, a sensação de confusão, os questionamentos, o turbilhão de sentimentos, não mudaria uma vírgula nessa história! Foi a melhor decisão da minha vida! Como curti cada momento! Perdi a paicência, tive momentos que me privei de coisas que minhas amigas não precisaram se privar, mas nada, nada mesmo, explica esse amor, essa sensação nova e fantástica de dar vida a alguém, de ter um filho e vê-lo crescer! Ainda vais olhar pra trás com muito orgulho da tua decisão! Parabéns!

  2. Ludmila filhos são sempre grandes bênçãos e uma infinidade de aprendizados. Que a Manuella chegue com muita saúde e repleta de lindos sentimentos a serem ricamente vivenciados e sobretudo que Deus permita a vocês construírem e consolidarem esse novo núcleo familiar a semelhança do de vocês…Manuela já fez eclodir e pulsar a veia literária da mamãe ( lindo o texto!!)e agora e só viver e compartilhar emoções.

  3. Lud lindaa!! Já está sendo uma mãe maravilhosa!! ? Adorei o texto!

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