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POR Andressa Valadares

Vampiros da vida real

Colunistas / 15.07.15

(Trilha sonora: Got Some – Pearl Jam)

Nem todo vampiro se chama Drácula, tem caninos afiados ou anda pela madrugada vestindo uma capa preta em busca de vítimas de sangue quente. Fora da mitologia, os vampiros estão por toda parte, adoram a luz do sol e não tem alho e crucifixo que consiga afastá-los. Falo dos vampiros psíquicos, os “sugadores de energia”, que são aquelas pessoas que se nutrem não de sangue, mas da vitalidade alheia.

Quem nunca se sentiu exausto em meio a uma conversa que mais parecia um martírio do que uma prosa amigável? O mais engraçado é que, no fim do papo, a pessoa que violentou os seus ouvidos com um falatório chato está mais radiante do que nunca. Enquanto você, que acreditava estar muito feliz e bem disposto antes de todo aquele blábláblá, transformou-se em um verdadeiro trapo.

Eis aí um belo exemplo de sugador da energia alheia. Obrigar as pessoas a ouvir blablablás intermináveis, em geral pouco ou nada interessantes, é uma das formas mais comuns de se sugar a vitalidade dos outros.

A existência de pessoas-vampiro se tornou algo tão comum que já existem estudos sobre esse “fenômeno”. A explicação é que boa parte dessas pessoas, por diversas razões, perdeu a capacidade de se nutrir com qualquer outra coisa que não seja a alegria, o alto astral e o bem-estar do próximo. Muitas delas agem como verdadeiros vampiros de energia sem nem ao menos perceber o quanto estão secando as forças do coleguinha ao lado.

E não existe apenas um tipo de pessoa-vampiro, mas vários. Tem o hipocondríaco, o egocêntrico, o Grilo Falante, o lamentoso, o cobrador, o crítico, o puxa-saco, o fuxiqueiro, o encrenqueiro e por aí vai. Ah, e tem também aquelas pessoas que não precisam falar nada, mas basta chegarem a algum lugar para você sentir a energia do ambiente dando tchau. Inexplicavelmente.

Não deixo de fazer mea-culpa, pois todos nós em algum momento de nossas vidas – principalmente naqueles de total desequilíbrio emocional – já nos comportamos como pessoas-vampiro. O importante é não deixarmos isso virar rotina ou nos definir.

Para desencargo de consciência, é sempre bom apelarmos vez ou outra para a autocrítica e avaliarmos de qual lado realmente estamos no momento. Afinal, toda vítima tem, de vez em quando, o seu dia de algoz…

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Andressa Valadares é jornalista, repórter do jornal O Estado do Maranhão e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações, na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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