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POR Lorena Nazar

Respiro e vivo cultura

Colunas / 30.06.15

O Boi de São Simão faz parte da minha vida não somente por eu amar a cultura maranhense e ser uma índia do boi, mas também por ele ter sido fundado pelo meu avô, José Nazar, e até hoje a minha mãe continuou com essa tradição. Eu nunca conheci meu avô, pois quando nasci ele já havia falecido. Então é através do contato com as festas juninas, com o povoado de São Simão e com as pessoas que fazem parte do grupo (sendo que muitas delas conheço desde criança) que eu me sinto conectada com a memória dele. Além de que, por ser algo herdado da família, é costume a preparação durante o ano inteiro, a expectativa, o nervosismo e o encanto pelas indumentárias, o bailado, a música e as próprias apresentações. Eu cresci dançando, transitando entre São Luís e São Simão e amando cada vez mais este boi. E realmente me sinto honrada por carregar a bandeira do boi aonde quer que eu vá.

Quando criança eu já me vestia de índia e ficava observando, maravilhada, o modo de dançar e o ritmo de orquestra da região do Munim. Finalmente aprendi o bailado e as coreografias e aos 8 anos de idade já tinha coragem de entrar sozinha no meio do grupo para acompanhar as outras índias. Hoje sou umas das índias guerreiras e muito feliz por fazer parte de um boi que dá apoio a todos os integrantes. Pois, como eu disse, é um grupo de herança familiar, então fazemos com que cada um se sinta parte da família São Simão e da família Nazar.

Eu admiro o fato de o Maranhão ser um estado com uma cultura tão forte e que, apesar de todas as dificuldades que qualquer pessoa no Brasil e no mundo enfrentam atualmente, preserve o São João. Eu sei que os ritmos e as danças passaram por muitas evoluções, sendo que algumas destas presenciei no meu próprio crescimento, mas espero que os diferentes sotaques de Bumba meu Boi, além das outras manifestações culturais do São João do Maranhão, jamais desapareçam e eu, como amante e integrante do Boi de São Simão, permanecerei na luta para que o nosso sotaque de orquestra da região do MUNIM, também não morra: o bailado das índias, o gingado dos vaqueiros, o som da orquestra.

Eu respiro e vivo cultura o ano inteiro, na minha própria casa. Adoro acompanhar o planejamento do boi, as oficinas de bordado, além de interagir com a comunidade do povoado de São Simão, que está sempre acompanhando o nosso grupo e compartilhando as outras manifestações locais, como a dança do Lelê. E assim como o meu avô e a minha mãe, tentarei manter a tradição deste grupo de Bumba meu Boi que existe há 56 anos, dançando, comandando ou aplaudindo, como São João, São Pedro, Santo Antonio e São Marçal me permitirem.

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Lorena Nazar é estudante e índia do Boi de São Simão.

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4 respostas para “Respiro e vivo cultura”

  1. Lindas palavras.. Lorena é uma ótima líder e amo esse boi

  2. Lindo depoimento Lorena. ..cresci dentro da nossa cultura q amo, mas so observando,mas naum tive a oportunidade de fazer parte efetivamente como agora. Amo esse boi.

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