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POR Pauliny Mariah

Não deixe a tradição acabar

Colunas / 30.06.15

Lembro que cresci ouvindo músicas de Bumba meu Boi. Não me recordo um único São João em que não tocava musicas juninas todas às manhãs em minha casa. Quando criança, antes dessa onda de violência que assola a nossa vida, sempre fazíamos um pequeno arraial, recheado de gosto, sabor, diversão e bombinhas. Era um momento único, poder brincar e pular fogueira sem medo.

Após alguns anos, senti que poderia fazer mais e participar ativamente dessa festa. Deixei muitos compromissos pra depois e festejei a São João. Dancei, encantei, emocionei, chorei, por fim, mesmo que sendo pouco para os outros, realizei um sonho. Posso dizer, sem restar dúvidas, que foi umas das melhores coisas que já fiz na vida.

Uma comunidade, um povo, só é lembrado por aquilo que tem a capacidade de fazer. A cultura junina é obra disso. Vem de berço, mesmo se você não nasceu gostando, algo pode lhe chamar atenção no meio do caminho e desenvolver esse amor.

Temos uma grande arma (do bem) nas mãos. Sabemos desenvolver emoções através de obra de arte. São Luís é o berço do São João, aqui se faz, aqui se dança. Bordados, trançados, músicas, arranjos, indumentárias, comidas típicas são o que elevam a população nessa época tão colorida. Nos sentimos artistas principais dessa grande festa, mesmo sendo apenas público.

Contudo, nem tudo são flores. A cada ano que passa observamos o descaso com o festejo junino. Sabemos que o turismo movimenta muito a economia brasileira, mas ainda assim não se é dado o devido valor para quem faz essa economia girar. Verbas são desviadas para outros fins que não são para desenvolver a riqueza que temos. Arraiais sendo desvalorizados, a sociedade se sentindo insegura para apreciar, brincadeiras juninas deixando de se apresentar por falta de apoio. O São João perdendo sua força.

É um momento delicado para a cultura maranhense, mas os amantes sempre sentirão o coração bater mais forte ao som de um pandeirão, matraca e tambor. Ainda bem que existe quem sempre vai lutar por isso, para que a tradição não morra. “Não deixe a tradição se acabar, não deixe a tradição sair daqui”.

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Pauliny Mariah é estudante de administração, amante de tudo aquilo que o homem desenvolve para o bem do outro. Apaixonada e parte ativa do Carnaval ao São João.

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