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POR Andressa Valadares

Tempo, cadê você?

Colunistas / 24.06.15

(Trilha sonora: Life with Grace – Super700)

Um dos maiores males da sociedade atualmente é a briga contra o relógio. De repente, ninguém mais tem tempo para nada. Experimente perguntar a uma pessoa “como você está?”. Em vez de receber como resposta um simples “estou bem”, você ouvirá coisas do tipo “nossa, estou muito ocupada”; “ai, não tenho tempo para mais nada”; “vixe, está faltando hora no relógio até para respirar”. Difícil viver assim.

Quando foi que nos tornamos escravos dos ponteiros? Confesso que escolhi uma profissão em que tempo e relógio são duas coisas preciosíssimas. Folga, então, artigo raro. Contudo, apesar dessa agenda tão cheia de compromissos e afazeres, não abro mão de um ócio criativo por nada no mundo (né, Netflix?).

Embora uma das nossas principais missões na vida seja solucionar nossos próprios problemas, e não perpetuá-los, chego a pensar que toda essa falta de tempo que toma conta da humanidade nada mais é do que uma forma de não pensar nesses problemas, que são inevitáveis.

Não há mais momentos calmos para reflexão. Conseguir aquietar a mente tornou-se um dos maiores desafios da atualidade. Parece que as pessoas estão enfrentando uma grande dificuldade em desfrutar do pequeno prazer de não fazer nada. A própria companhia tornou-se um verdadeiro tédio.

A sensação que se tem é que, se eventualmente ficamos sozinhos e com um horário vago na agenda, a tendência é entrarmos em contato com um lado da nossa vida que insistimos em manter camuflado pela rotina do dia a dia. Assim, há uma inexplicável necessidade de se estar sempre entretido com algo, não importa o que, nem o quanto essa falta de pausas possa ser prejudicial – para a saúde e para o espírito.

Eu garanto para vocês que o ócio nem sempre é algo ruim. Permita-se não fazer nada pelo menos uma horinha do dia. Desligue o celular. Esqueça os compromissos que podem ser adiáveis e siga o conselho do meu grande amigo Fagner: “Pois senão chega a morte ou coisa parecida/ e nos arrasta moço/ sem ter visto a vida”.

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Andressa Valadares é jornalista, repórter do jornal O Estado do Maranhão e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações, na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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