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POR Andressa Valadares

Acorda, Alice

Colunistas / 17.06.15

(Trilha sonora: Um Rei e o Zé – Apanhador Só)

Alice sempre foi uma garota esperta. Pelo menos era o que diziam. Na escola estava sempre acima da média, cercada de amigos e poucas preocupações. Apesar de tudo, a vida era fácil. Assim ela acreditava.

Como toda adolescente, Alice tinha seus dilemas, algumas crises e leves incertezas. Vez ou outra se via em meio a situações embaraçosas, brigas desnecessárias, conflitos dentro de casa, amores platônicos e pequenos desentendimentos com os amigos. Nada que fugisse à normalidade. Afinal, Alice era apenas uma garota, que estava naquela fase na qual errar, gritar e tropeçar – quantas vezes fossem – era aceitável e até mesmo necessário.

No meio desse turbilhão, Alice chegou a pensar que, quando crescesse, tudo aquilo iria passar. A vida seria melhor, mais interessante e cheia de novas descobertas. Ela acreditava também que, se arrumasse um bom emprego e conseguisse manter as faturas em dia, todo o resto se resolveria.

Por um lado, Alice não estava errada. As novas descobertas vieram, bem como as experiências para lá de interessantes. Ela só não contava com o fato de que, mesmo na fase adulta, certas coisas não mudam. Não importa a sua idade, alguns problemas ainda serão os mesmos de quando você tinha 15 anos.

Foi errando que Alice aprendeu que só nos tornamos adultos quando perdemos o medo de errar. Na adolescência, costumamos procrastinar uma série de decisões para não ter que conviver com a dúvida depois. Esperamos sempre pelo momento exato da certeza absoluta, que nunca chega.

Crescer é tomar decisões. E aprender a conviver com elas.

Foi tomando decisões que Alice aprendeu que, na vida, além da morte, dos impostos e das contas para pagar, apenas uma coisa é certa. Não importa o quanto você tente ou o quão boas sejam as suas intenções, você cometerá erros, pois é justamente em cima deles que construímos a nossa vida. São os erros cometidos que nos fazem quem somos – para o bem ou para o mal.

Foi assim que Alice acordou. Hoje, ela vive com a certeza de que não importa o quanto cresçamos, ou o tamanho de nossas responsabilidades, sempre estaremos tropeçando, imaginando, errando e nos arriscando. Afinal, somos a soma não só de nossas escolhas, mas também de nossas renúncias. É aí que entra o fracasso, as perdas, as quedas e, a melhor de todas as coisas, a volta por cima.

Bem-vinda à vida adulta, Alice!

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Andressa Valadares é jornalista, repórter do jornal O Estado do Maranhão e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações, na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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